Um avanço repentino do mar provocou alagamentos, destruiu embarcações e invadiu estabelecimentos comerciais no litoral Sul de Santa Catarina na manhã desta segunda-feira, 21 de setembro. O fenômeno, confirmado pela Defesa Civil estadual como um tsunami meteorológico, atingiu as cidades de Laguna, Jaguaruna e Imbituba por volta das 6h.
Imagens de segurança registradas em um restaurante na Praia do Cardoso, em Laguna, mostram o momento em que a água tomou conta do estabelecimento localizado na orla. Pescadores que estavam na região precisaram correr para tentar salvar as embarcações, que foram arrastadas pela força da correnteza.
De acordo com a Epagri/Ciram, o evento teve quatro ondas, cada uma com duração entre 14 e 16 minutos. Até o momento, não há registro de vítimas, segundo informou a Defesa Civil de Santa Catarina.
Diferente dos tsunamis tradicionais — causados por terremotos ou atividades vulcânicas no fundo do oceano —, o tsunami meteorológico é provocado por perturbações atmosféricas. O fenômeno ocorre quando há variações bruscas na pressão do ar, associadas a nuvens carregadas e ventos intensos que se deslocam rapidamente sobre o mar, formando ondas que chegam à costa.
Segundo o meteorologista Piter Scheuer, que identificou o evento como meteotsunami, a combinação de dias de calor intenso seguida por instabilidades meteorológicas cria as condições para que o ar se movimente verticalmente e gere a elevação súbita do nível do mar.
Além de Laguna, onde o fenômeno foi mais intenso na Praia do Cardoso, próximo ao Farol de Santa Marta, os municípios de Jaguaruna e Imbituba também registraram alagamentos costeiros. Equipes das Defesas Civis municipais estão em campo avaliando os estragos nas áreas afetadas.
Os danos incluem:
– Ruas alagadas com acúmulo de água e areia
– Barcos deslocados e danificados
– Muros derrubados
– Comércio e restaurantes invadidos pela água
Este é o segundo registro de tsunami meteorológico em 2026 na Praia do Cardoso, em Laguna. A Epagri/Ciram cataloga outros quatro episódios anteriores no estado: em 2009 (Pântano Sul, em Florianópolis), 2019 (Guarda do Embaú, em Palhoça), 2023 (também no Cardoso) e no início deste ano, no Morro dos Conventos, em Araranguá.
A Defesa Civil informou que não há previsão de um novo evento semelhante nos próximos dias. Com a chegada de uma massa de ar frio e seco, as condições atmosféricas favoráveis à formação de novas linhas de instabilidade sobre o mar devem diminuir.
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