Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolvem cadeiras de rodas, órteses e próteses de baixo custo para ampliar o acesso de pessoas com deficiência a tecnologias assistivas. Os equipamentos são produzidos com materiais como tubos de PVC, plástico biodegradável e peças fabricadas em impressoras 3D.
A iniciativa mais recente está ligada ao Laboratório de Estudos Inventivos em Tecnologias Assistivas (Lab.Eita), criado em 2024. O grupo reúne professores e estudantes de diferentes áreas e já produziu órteses e próteses para membros, andadores adaptados, engrossadores de talheres, adaptadores de chaves e mini-cadeiras de rodas para crianças e adultos.
O processo começa com o acolhimento e a avaliação das necessidades de cada usuário. Em seguida, são realizadas etapas de modelagem digital, escaneamento e fabricação por impressão 3D. Depois da entrega, os pesquisadores acompanham a adaptação do equipamento.
Entre os projetos desenvolvidos está a cadeira de rodas infantil personalizada “Rodinha Livre”, voltada a crianças com mielomeningocele. A proposta é oferecer uma solução mais acessível e adequada às características físicas de cada usuário.
Próteses feitas em impressora 3D
A UFG também desenvolve próteses de mão com plástico biodegradável PLA, material produzido a partir de derivados do milho. O uso de scanner 3D permite adaptar o dispositivo ao corpo da pessoa que irá utilizá-lo.
Há modelos mecânicos, acionados pelos próprios movimentos do usuário, e versões eletromecânicas, controladas eletronicamente. A tecnologia também permite a utilização de materiais flexíveis, que tornam o contato com a pele mais confortável.
Em projetos anteriores, pesquisadores da universidade informaram que próteses comerciais poderiam custar mais de R$ 100 mil, enquanto modelos desenvolvidos com impressão 3D tinham custo muito inferior.
Uso de materiais reciclados
Além da impressão 3D, iniciativas ligadas à UFG utilizam tubos de PVC e outros materiais de baixo custo na construção de cadeiras de rodas e móveis adaptados. A estratégia reduz o preço dos equipamentos e facilita a produção de modelos personalizados.
Em uma ação de capacitação realizada em parceria com o Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT-UFG), um parapódio que poderia custar a partir de R$ 2 mil foi produzido por aproximadamente R$ 250 e entregue gratuitamente a famílias de pessoas com deficiência.
Reconhecimento
O Lab.Eita conquistou o primeiro lugar no 2º Prêmio de Inovação no Setor Público de Goiás, na categoria Inovação em Outras Instituições Públicas. O laboratório também recebeu certificação como Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil.
Segundo a universidade, o projeto conta com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e busca unir ensino, pesquisa e extensão para desenvolver soluções acessíveis, replicáveis e voltadas à inclusão.
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