Uma demissão altera significativamente o orçamento, principalmente quando a renda mensal deixa de entrar e ainda não há previsão para um novo emprego. Nesse período, revisar as despesas e entender quanto dinheiro está disponível são medidas importantes para organizar as finanças até a recolocação.
Um dos primeiros passos é levantar os recursos que podem ser utilizados nos meses seguintes à demissão, como reservas financeiras e verbas rescisórias, e adaptar o montante às despesas.
Planejador financeiro certificado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (ABPF), Diego Endrigo detalhou algumas das verbas rescisórias e como elas devem ser colocadas no planejamento.
“Isso significa mapear quanto dinheiro existe disponível ou que você ainda receberá, como rescisão, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), seguro-desemprego e reservas, e comparar com o custo mensal de vida”, disse ao UOL.
Organizar despesas fundamentais
Depois do entendimento das verbas rescisórias, com a redução e a interrupção da renda, as despesas essenciais devem se tornar prioridade de orçamento. Aluguel, financiamento imobiliário, alimentação, contas básicas, medicamentos e transporte estão entre os gastos que precisam ser preservados.
A ausência de renda exige uma redução das despesas e uma série de adequações, priorizando aquilo que é essencial.
“Durante esse período sem renda, é fundamental reduzir despesas e adequar o padrão de vida, já que não há entrada de dinheiro”, detalha Myrian Lund, planejadora financeira e professora da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Contas “esquecidas”
Além das despesas mensais, o planejamento financeiro precisa considerar compromissos que aparecem em períodos específicos do ano. Impostos como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), seguros, manutenção de veículos ou imóveis, gastos escolares e assinaturas anuais podem ficar fora da conta quando o trabalhador calcula apenas os custos recorrentes.
Esses valores podem comprometer a organização financeira justamente quando a renda está reduzida. Por isso, listar também essas despesas e checar quando elas serão cobradas ajuda a evitar que um compromisso inesperado consuma uma parcela significativa da reserva.
Responsabilidade com o valor da rescisão
Os valores recebidos no encerramento do contrato devem ser tratados como recursos destinados a sustentar o período sem salário, não como uma renda adicional.
Dependendo das condições do desligamento, a rescisão pode envolver diferentes verbas, que precisam ser conferidas nos documentos do contrato e do encerramento.
Após uma demissão, compreender os valores envolvidos no encerramento do contrato pode ajudar na reorganização do orçamento. Nesse processo, uma calculadora de rescisão pode auxiliar em uma estimativa inicial das verbas relacionadas ao desligamento, enquanto a conferência dos valores deve considerar as condições específicas de cada contrato.
Utilizar a rescisão como dinheiro extra ou tomar decisões impulsivas com investimentos pode comprometer os recursos necessários para atravessar esse período, que deve se basear no sustento até a conquista de um novo emprego, já que os salários mensais deixam de ser pagos.
Evite novas dívidas
Durante uma demissão, controlar os gastos é importante. Além disso, evitar o aumento do endividamento é ainda mais fundamental, pois o funcionário pode ceder a impulsos durante esse período.
Faturas com juros elevados, especialmente as do cartão de crédito, exigem atenção, enquanto compromissos com custos menores podem ser avaliados para renegociação. É importante evitar empréstimos e compras por impulso.
Renda extra para emergências
Enquanto a recolocação profissional não acontece, fontes temporárias de renda podem ajudar a reduzir a necessidade de utilizar a reserva financeira. Trabalhos autônomos e serviços relacionados à área de atuação são algumas das possibilidades que podem complementar o orçamento durante esse intervalo.
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