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opinião

Universidade de São Paulo: o sucesso e seus desafios

Temos visto também a expansão de parcerias internacionais e a criação de centros de excelência em pesquisa. Naturalmente, essas iniciativas se reforçam mutuamente e seus impactos certamente serão duradouros.
Fábio Augusto Reis Gomes é professor titular do Departamento de Economia da FEA-RP/USP. Foto: Leonardo Rezende/FEA-RP-USP

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O sucesso é sempre almejado. E, quando alcançado, quase sempre é fruto de um longo período de esforço intenso. Mas, ao alcançá-lo, o maior desafio é não se acomodar. Isso pode ocorrer, mesmo sem percebermos, quando acreditamos que basta repetir o que nos levou ao sucesso para mantê-lo. A única constante é o esforço, pois circunstâncias mudam e as estratégias devem ser adaptadas. Por isso é essencial antecipar desafios e oportunidades. Essa antecipação nos dá a chance de nos preparar melhor para superar obstáculos e aproveitar o que o futuro oferece. Precisamos atuar com determinação no presente e, ao mesmo tempo, prospectar o que está por vir.
Em consonância com sua excelência, a USP tem avançado em diversas dimensões. Há muitos destaques, e sem a pretensão de apresentar uma lista exaustiva, começo pela valorização de seus quadros. Vivenciamos um período de recomposição salarial e dos vales-alimentação e refeição, criação de subsídio para plano de saúde, implementação de prêmios de desempenho e da progressão horizontal tanto para servidores quanto para docentes. Também tem sido fundamental a recuperação do quadro de docentes: após a realização de todos os concursos autorizados, teremos um total de docentes semelhante ao do início de 2014. Quanto aos servidores, vivemos um momento de recomposição das perdas anuais. Assim, contamos com uma recomposição e fortalecimento dos quadros, cujos vencimentos e benefícios foram ampliados.

Há um esforço evidente para acolher e apoiar nossos alunos. O valor destinado aos programas de permanência foi significativamente ampliado e várias políticas foram aprimoradas ou desenvolvidas. Com a implementação do chamado Provão Paulista, a USP passou a alcançar de forma efetiva todo o ensino médio público do Estado de São Paulo, e os alunos que ingressam por esse canal podem pleitear financiamento diretamente do Estado.

Quanto à pós-graduação, destaco o papel da USP na formulação de uma nova política que busca reduzir o tempo de formação de um doutor. Em poucas palavras, pode ocorrer a conversão do aluno bem-sucedido no primeiro ano de mestrado em aluno do doutorado. Isso demonstra tanto a capacidade da USP de buscar soluções quanto sua influência no sistema de ensino e pesquisa do País.

Temos visto também a expansão de parcerias internacionais e a criação de centros de excelência em pesquisa. Naturalmente, essas iniciativas se reforçam mutuamente e seus impactos certamente serão duradouros.

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O sucesso da USP é fruto de um longo trabalho e da capacidade de fomentar e de aproveitar oportunidades. Em 2014, deflagrada a crise financeira interna, foi necessário implementar medidas duras. Ao longo do processo de recuperação, enfrentaram-se agravantes adicionais, como crises econômicas e políticas que reduziram a arrecadação do ICMS, além da pandemia da covid-19. Com muito esforço, a saúde financeira da USP foi restaurada e, como mostram os exemplos acima, os recursos foram aplicados de forma a fortalecer o ensino e a pesquisa de excelência, ao mesmo tempo funções da USP e pilares que sustentam todas as demais áreas de atuação da Universidade.

Cumpre destacar também que, com a sabedoria de não confundirmos estoque com fluxo de recursos, as reservas da USP têm permitido o investimento em expansão, incluindo blocos didáticos, espaços de convivência, novos restaurantes, entre outros. Estamos, assim, potencializando a atuação da Universidade em diversas dimensões, resultado do esforço presente e das condições criadas pelo esforço prévio.

Como manter o sucesso da USP? Responder a essa pergunta é, sem dúvida, um desafio. No entanto, alguns ingredientes do sucesso são evidentes. Se a recuperação da saúde financeira criou as bases para tantas ações e políticas bem-sucedidas, mantê-la é, obviamente, essencial.

Quero arriscar alguns apontamentos adicionais. Ao olhar para o futuro, é preciso considerar todos os impactos que uma sociedade polarizada pode trazer à USP. Uma consequência evidente é o aumento da importância da comunicação com a sociedade. Nossas realizações precisam ser evidenciadas. Devemos mostrar não apenas o que fazemos, mas também reforçar que a USP é para todos. Essa comunicação é essencial para que alunos do ensino médio sonhem em estudar aqui, para que graduados desejem ingressar em nossa pós-graduação e para que aqueles que aspiram à carreira acadêmica queiram trabalhar na USP. Evidentemente, se a sociedade se vê na USP, ela defenderá a USP. No entanto, se um segmento ou parte da sociedade não se enxerga na USP, a plateia está posta para aplaudir tomadores de decisão que queiram reduzir o apoio e o financiamento da USP. Independentemente dessa questão complexa, a própria natureza pública da USP já é motivo para que sejamos – e nos comuniquemos como – uma universidade para todos.

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Enfrentamos também uma concorrência mais acirrada, e isso é sinal do desenvolvimento do País, para o qual a USP contribui. Em particular, formamos mestres e doutores que atuam nas mais diversas instituições de ensino superior, ampliando a qualidade do ensino. Cabe à USP continuar evoluindo para manter seu protagonismo em pesquisa e na formação de professores qualificados que atuarão em diversas universidades.

Para manter o sucesso da USP, precisamos preservar as iniciativas bem-sucedidas e, com base na experiência acumulada ao vê-las em ação, aprimorá-las. Também precisamos, constantemente, de novos olhares: encarar o mesmo problema por outras perspectivas é um exercício mais do que bem-vindo. Novas visões e a capacidade de considerar diferentes perspectivas são essenciais para antecipar e enfrentar problemas, bem como para identificar e potencializar novas oportunidades.

Novos olhares também nos permitem perceber como os outros veem, o que fomenta a busca de sentido. As ações tomadas precisam fazer sentido para aqueles que são afetados por elas. Esse é um desafio que depende tanto de quem comunica as ações quanto de quem as ouve, pois, sem disposição para o diálogo, não há entendimento. De todo modo, quando estamos abertos a enxergar o problema com os olhos dos outros, as chances de sucesso aumentam. Não se deve tomar medidas sem convicção, nem as adquirir rapidamente, pois não basta fazer sentido para um ou para poucos. A adesão requer envolver as pessoas que, ao participarem, compreendem melhor o “porquê” e o “para quê”. Retomando o que já foi dito, e ilustrando esse princípio, reafirmo que a USP precisa fazer sentido para toda a sociedade, inspirando futuros discentes e docentes a sonharem em fazer parte dela e motivando a comunidade interna.

Fábio Augusto Reis Gomes é professor titular do Departamento de Economia da FEA-RP/USP

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