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Opinião

Vacinação infantil travada

Menos de 30% do público que está na faixa etária dos 5 aos 11 recebeu a primeira dose da vacina. Análise de um dos principais jornais do país mostrou que o Brasil levou o triplo do tempo gasto por Canadá, Austrália, Argentina e Uruguai para conseguir atingir 15% de crianças vacinadas. As doses estão sendo distribuídas. O problema está no negacionismo dos pais.

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No momento em que o mundo começa a enxergar com mais clareza sinais do que pode ser a transição entre uma pandemia e uma endemia, o Brasil precisa vencer obstáculos para acelerar a vacinação infantil. Enquanto a sociedade brasileira adulta aderiu em massa ao programa de imunização contra o coronavírus, as crianças continuam à mercê de uma doença que já dizimou milhares.

Menos de 30% do público que está na faixa etária dos 5 aos 11 recebeu a primeira dose da vacina. Análise de um dos principais jornais do país mostrou que o Brasil levou o triplo do tempo gasto por Canadá, Austrália, Argentina e Uruguai para conseguir atingir 15% de crianças vacinadas. As doses estão sendo distribuídas. O problema está no negacionismo dos pais.

No Brasil, mais de 1.400 crianças já morreram por causa da Covid-19. Outras cerca de 2.500, após contraírem o sars-cov-2, desenvolveram a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que também pode ser fatal. Os dados do Ministério da Saúde, apesar de serem apenas números para alguns, para outros são a marca real e palpável de uma tragédia que poderia ter sido evitada.

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Apesar do Brasil ser referência mundial quando o assunto é vacinação, a pandemia trouxe à tona questionamentos que outrora nunca foram discutidos. A eficácia, os efeitos colaterais e até mesmo a marca de um imunizante viraram assunto de boteco. É claro que a sociedade tem o direito de acessar o conhecimento e entender como os imunizantes agem no controle da pandemia. Por outro lado, há quem maldosamente se apropria de meias verdades para distorcer informações e propagar o pânico. E o pior: sem qualquer respaldo científico. Quando chamadas a defender teoricamente seus pontos de vista, demonstram incapacidade para diferenciar um artigo científico confiável de um mero texto publicado em qualquer blog.

Infelizmente, a desinformação segue como um dos principais motivos para o travamento da imunização das crianças. O medo da vacina, gerado por teorias conspiratórias compartilhadas nas redes sociais e grupos de WhatsApp, se tornou, mais do que a própria Covid-19, um inimigo poderoso.

É necessário que a sociedade se atente aos fatos já reforçados por pesquisadores sérios: milhares de crianças já foram vacinadas em outros países sem a detecção de reações adversas graves até o momento. No Brasil, os dois imunizantes autorizados pela Anvisa já estão disponíveis e, diferentemente do que as fake news replicam, não são experimentais.

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A vacinação é um pacto social que impede a perpetuação de doenças fatais. Privar de uma vacina eficaz, testada e estudada quem não tem poder de decisão, significa tirar o direito à saúde daqueles que futuramente poderão sofrer sequelas irreversíveis por causa de uma doença traiçoeira e que não escolhe vítimas. Nossas crianças se tornarão adultas e vão cobrar de seus pais o motivo de terem negado a ciência. Foi no século XVII que o Iluminismo surgiu. E está sendo no século XXI que o obscurantismo parece estar de volta.

Marise Tofoli é médica e Presidente da Sociedade Goiana de Pediatria

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