Muitos jovens começam a trabalhar bem cedo, algumas vezes antes mesmo dos 16 anos. Uns precisam ajudar a família, outros querem juntar dinheiro para continuar os estudos, e até mesmo pagam, eles mesmos, pela sua educação. O fato é que, quando esses jovens entram na faculdade, surge a dúvida: devo largar meu emprego e procurar um estágio?
Eraldo Vieira, especialista em recrutamento e seleção de estagiários, garante que “na maioria dos casos, sim”. De acordo com ele, quando o estudante já está atuando na área em que pretende se formar, não vale a pena deixar seu emprego, a não ser que a faculdade exija horas de estágio. No entanto, quando o emprego não tem nada a ver com o curso, o jovem deve pensar bem na possibilidade de ir para um estágio.
“Geralmente, os empregos conquistados antes dos 18 anos estão relacionados a trabalhos mais mecânicos e que não exigem uma formação superior”, afirma o especialista. Ao entrar em uma universidade, o aluno precisa estar em contato com a prática de sua profissão. Só esse contato poderá mostrar como funciona a rotina daquela área e dar a base necessária para que o jovem possa se destacar no mercado de trabalho. Agora, se o aluno conseguir um emprego de carteira assinada na área em que pretende atuar, então deve comemorar e aproveitar muito a oportunidade.
“O estágio é a oportunidade de o estudante colocar na prática as teorias aprendidas em sala de aula, descobrir seu potencial e confirmar se aquela é realmente a profissão certa. Vale a pena ganhar um pouco menos durante algum tempo, mas em troca adquirir conhecimento”, afirma Vieira.
Prós e contras
O assessor de imprensa Robson Alves Rocha, 27, passou por essa situação durante o curso superior. Ele conta que mesmo com os pontos negativos durante a troca do trabalho fixo para o estágio, não agiria de outra forma, muito pelo contrário. Ele, hoje, colhe os frutos dessa escolha acertada. “Eu já estava na faculdade e sentia muita falta da prática, queria fazer estágio. Além disso, não estava totalmente satisfeito com o emprego em que estava; não tinha absolutamente nada a ver com minha área de formação”, explica.
Robson ressalta que o ponto que mais pesou foi a questão salarial. “Eu ganhava, ao todo, cerca de R$ 1.800, enquanto no estágio receberia apenas uma bolsa auxílio de R$ 660. Decidi arriscar e deu certo. Hoje, eu estou contratado na empresa em que estagiei, onde tenho inclusive possibilidade de crescimento profissional”, diz. O jovem lembra que amigos que não optaram pelo estágio ainda hoje têm dificuldades para ingressar no mercado de trabalho na área para a qual se formaram.
Como se preparar
Psicóloga que atua na área de gestão de pessoas, Tayná Franckilin ressalta que, de fato, o estágio é parte importante do processo de profissionalização e aprendizado. Para ela, quando o jovem já está no mercado de trabalho e atuando em uma área distinta de sua formação, ele deve analisar qual é o seu objetivo profissional. “Se o objetivo for atuar na sua área de formação, a prática faz muita diferença, e deixar o emprego para se aventurar em um estágio deve ser uma atitude a ser levada em consideração”, explica.
Para os que buscam uma oportunidade de estágio, a dica da psicóloga é: “Escolham algo que realmente apreciem. É preciso ter paixão para aproveitar tudo que um estágio tem para proporcionar e esta energia é perceptível nas entrevistas”. Ela lembra que mais do que se preparar para a entrevista, é preciso se preparar para o estágio como um todo. Esse momento de aprendizado deve ser vivido com euforia, criatividade e muita flexibilidade, buscando absorver o máximo de experiência.
A questão salarial será um fator importante de acordo com o momento de vida que o candidato estiver inserido. Para Tayná, o estudante precisa levar em consideração quais são suas necessidades e responsabilidades. No caso daqueles em que seu orçamento depende exclusivamente deles próprios ou ainda daqueles que possuem dependentes e despesas fixas, uma depreciação salarial pode trazer muitos malefícios. “Esta queda salarial pode também ser um fator desmotivador e acarretar o baixo aproveitamento no estágio. Desta forma, é importante que quem está nesse dilema planeje bem e analise todas as variáveis”, ressalta.
Tayná afirma que o mais importante a se ponderar neste momento são os ganhos futuros, mas também levando em consideração as necessidades atuais. “O aprendizado que um estágio bem conduzido pode proporcionar ocasiona um crescimento gradativo rumo ao sucesso profissional e, em longo prazo, pode ser bem mais vantajoso que a atual estabilidade”, salienta.
Muitas pessoas, mesmo após conseguirem se formar, continuam no mesmo emprego, fora da área de atuação em que estavam durante o curso superior. Tayná explica que, em suas entrevistas, encontra muitas pessoas atuando fora da sua área de formação e os motivos são diversos. “Tem pessoas que descobrem que não se identificam com a prática da área que escolheram, ou seguiram a opinião de outros e se frustraram. Tem também aqueles que preferiram permanecer na área em que já atuavam, sem nunca exercer a atividade para a qual se formaram”, esclarece.
Para ela, o mais importante é nunca se deixar abater; não estagnar. “Se descobriu que não gosta da(s) área(s) de atuação da sua formação, explore novas oportunidades, busque especializações, cursos e informações sobre novas áreas. Você pode descobrir um novo nicho de trabalho e até conhecer atividades que se encaixam com os seus gostos”, afirma a psicóloga.
“Vale a pena ganhar um pouco menos durante algum tempo, mas, em troca, adquirir conhecimento”
Eraldo Vieira,especialista em recrutamento e seleção de estagiários








































