Câmeras de segurança registraram Thauany Gabriele de Oliveira Teixeira, de 25 anos, levando a filha em caixa de papelão até a área de lixo na madrugada de 23 de julho; ela alega “desespero e confusão emocional” e nega uso de abortivos. Suspeita cursa enfermagem e deve ser indiciada por homicídio.
Imagens do sistema de videomonitoramento de um condomínio em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, registraram o momento em que uma mãe descartou a filha recém-nascida em uma lixeira, na madrugada do dia 23 de julho de 2026. A Polícia Civil identificou a autora do ato como Thauany Gabriele de Oliveira Teixeira, de 25 anos, após analisar as gravações e confrontá-la com as imagens.
Nas gravações, Thauany aparece por volta de 1h03 caminhando pelo condomínio carregando sacolas de lixo e uma caixa de papelão, e se dirige até a área de descarte de resíduos, onde deposita o material antes de retornar para a residência. O corpo da bebê foi encontrado posteriormente por um funcionário do condomínio, dentro da caixa, envolto em sacola plástica e ainda com o cordão umbilical.
Em depoimento, a mãe relatou estar em “estado de desespero e confusão emocional” no momento do parto, negou ter utilizado substâncias abortivas ou contado com auxílio de terceiros, e disse que cortou o cordão umbilical, colocou a recém-nascida em uma caixa junto com a placenta e outros resíduos do parto, e descartou o material na lixeira durante a madrugada.
O exame de necropsia indicou que a criança era do sexo feminino, tinha cerca de 26 semanas de gestação (aproximadamente seis meses) e pesava cerca de 750 gramas. A perícia constatou evidências de respiração após o nascimento, ou seja, a bebê nasceu com vida, ainda que tenha sobrevivido por pouco tempo.
De acordo com a Polícia Civil, a tendência inicial é de indiciamento por homicídio, em razão do dever de cuidado da mãe e da constatação de que a criança nasceu viva. Um detalhe que chamou atenção nas apurações é que a suspeita cursa enfermagem, o que, segundo o delegado, reforçaria a expectativa de que ela sabia como proceder para socorrer a recém-nascida.
O caso, que ocorreu no condomínio Chapada do Poente, em Várzea Grande, gerou comoção e está sendo acompanhado pela Polícia Civil, que deve concluir o inquérito e encaminhar a denúncia ao Ministério Público nas próximas semanas.
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