Na guerra contra a dengue, uma Igreja Evangélica de Goiânia começou a distribuir gratuitamente sementes da planta crotalária, uma leguminosa de crescimento rápido que atrai insetos predadores do mosquito da dengue. Em apenas dez dias, já foram doados mais de cinco mil saquinhos de sementes.
Preocupado com a epidemia da dengue e após ver experiências bem-sucedidas com o cultivo da planta, no combate à dengue, principalmente por prefeituras, em algumas cidades brasileiras, o presidente do Ministério Bethel, pastor Gentil Rosa de Oliveira, resolveu distribuir na sede da igreja saquinhos com a semente da crotalária.
“Coincidência ou não, cidades que aderiram à crotalária tiveram bons resultados no combate à dengue. Um exemplo é a cidade de Sorriso, no Mato Grosso, que, em um determinado período, conseguiu zerar o número de casos de dengue na cidade. Lá, a prefeitura plantou a crotalária nos canteiros das principais avenidas, que, além de embelezar a cidade com as belas flores amarelas, fez com que os casos da doença caíssem”, avalia.
Ele explica que a planta na fase adulta solta uma flor amarela que atrai a libélula, inseto que põe suas larvas no mesmo ambiente do mosquito da dengue. Sendo ela o predador natural, agindo de duas maneiras em que as larvas da libélula se alimentam das larvas do Aedes aegypti e a própria libélula, quando adulta, se alimenta do mosquito da dengue.
Mas, segundo o pastor, não há estudos científicos que comprovem a redução no número de mosquitos por causa da crotalária. “É mais uma tentativa. É importante lembrar que não há pesquisa científica que comprove esta eficácia a fim de que as pessoas confiem plenamente neste método”,ressaltou.
Apesar de não existir pesquisa científica, que comprove a redução no número de mosquitos por causa da crotalária, Gentil se baseia nas experiências de outras cidades e acredita está fazendo a diferença na possível eficácia da planta. “Se cada um de nós fizer alguma coisa, nós podemos ajudar muita gente sofrer menos, cada um deve dar sua parcela de colaboração, estou fazendo a minha. Vamos trabalhar para que haja menos dengue em Goiânia”,considera.
Iniciativa popular é positiva, diz agente público
Para o diretor do Centro de Zoonoses de Goiânia, Edison Almeida Gomes, apesar de não existir nenhuma comprovação da eficácia da crotalária, ele avalia ser esta uma iniciativa positiva. “Se não está fazendo mal a nossa saúde, não vejo porque não adotar essa medida. Contudo, o que vai realmente combater é a conscientização da população com ações práticas do dia a dia”, diz.
Dentre as medidas, Edison Almeida aconselha as pessoas a tirar dez minutos do tempo para fazer uma vistoria em vasos de plantas, ralo do banheiro, calhas e os próprios canos. “A orientação é para que as pessoas coloquem areia nos pratos dos vasos de plantas, que verifiquem os ralos que se ficam parados podem se transformar em criadouros, bem como a verificação das calhas para que a água não fique parada”.
FUMACÊ
Sobre a eficácia do “malathion”, fumacê usado como inseticida nas ruas para combater a dengue, Edison reconhece que nem sempre o produto atinge os locais, dentro das casas, onde os mosquitos da dengue estão escondidos. Isso porque boa parte da população fecha as portas e janelas. “Todo inseticida causa impacto ambiental, uns mais outros menos. O ideal é não usar, basta que a população se conscientize e evite os criadouros”, fala.
Dados
A situação da dengue em todo o Estado tem preocupado as autoridades de saúde. Dados do último boletim semanal de dengue, da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás (SES), constataram que 18 pessoas já morreram de dengue em todo Estado, em 2015. Ainda de acordo com o comunicado, até o dia 2, Goiás notificou 98.687 mil casos da doença. O número caracteriza um aumento de 60,65% em relação ao mesmo período do ano passado.





































