Em um dos episódios mais trágicos da história parlamentar brasileira, o deputado federal Plínio Gayer cometeu suicídio nas dependências da Câmara dos Deputados, em 8 de julho de 1953, na então capital Rio de Janeiro. O ocorrido, registrado há mais de 70 anos, revela um caso de sofrimento mental que castigou o médico e político goiano e que hoje é lembrado por sua ligação familiar com o atual deputado federal Gustavo Gayer, eleito em 2022 como o segundo mais votado de Goiás.

Plínio Gayer nasceu em 1898 e foi eleito deputado federal em 1950 pelo PSD (Partido Social Democrático), assumindo o mandato em 1951. Formado em medicina pela Universidade do Rio de Janeiro, o parlamentaer dedicava-se tanto à prática médica quanto à política, seguindo a trajetória familiar que mais tarde seria continuada por vários descendentes, incluindo Gustavo Gayer.
Sua eleição ocorreu em um período de transição democrática no Brasil, poucos anos após o fim da Era Vargas e durante o governo de Eurico Gaspar Dutra. Em 1953, o país vivia sob a presidência de Getúlio Vargas, que também morreria por suicídio pouco depois, em 24 de agosto de 1953, apenas 47 dias após o caso de Plínio Gayer.
O suicídio: surto mental e alucinações
Na manhã de 8 de julho de 1953, Plínio Gayer optou por se matar dentro das instalações da Câmara dos Deputados. Segundo informações registradas na época, o deputado sofria de alucinações e havia passado por um surto agudo de doença mental.
Inicialmente, circulou a notícia de que o suicídio teria ocorrido por suspeita de câncer terminal, o que gerou grande impacto na sociedade brasileira. A suposição de doença grave tornou-se o motivo atribuído ao autoextermio em diversos meios de comunicação.
No entanto, a autópsia realizada posteriormente desmentiu completamente essa informação. O exame forense reveleu que não havia câncer em Plínio Gayer. A causa real da morte foi confirmada como doença mental com alucinações, que levou o parlamentar a um estado de sofrimento psicológico extremo.
Relação familiar com Gustavo Gayer
O caso de Plínio Gayer ganha atual relevância por sua ligação direta com o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), eleito em 2022. A conexão familiar é a seguinte:
– Plínio Gayer (1898–1953) era avô de Maria Conceição Gayer (1949–2006)
– Conceição Gayer, que foi deputada estadual e delegada de polícia, é mãe de Gustavo Gayer
– Portanto, Plínio Gayer é o bisavô de Gustavo Gayer
Gustavo Gayer segue a trajetória política da família, tendo sido eleito em 2022 como o segundo deputado federal mais votado em Goiás. Ele se define como conservador, cristão e defensor da família, bandeiras que também eram carregadas por seus antepassados na política.
O suicídio de Plínio Gayer ocorreu em um momento de grande tensão política no Brasil. Poucos meses antes, o país havia experimentado instabilidade política, e o episódio contribuiu para o clima de desesperança que culminaria no suicídio de Getúlio Vargas em agosto de 1953.
O caso também destaca a necessidade de atenção à saúde mental de parlamentares, um tema que ainda hoje é pouco discutido no ambiente político brasileiro. Plínio Gayer era um médico de formação, o que paradoxalmente poderia ter facilitado o acesso a tratamento, mas não impediu o desfecho trágico.
A família Gayer continua ativa na política goiana, com Gustavo Gayer representando a quarta geração de políticos na linhagem familiar. O episódio de 1953 permanece como um marco histórico da trajetória familiar, lembrado por sua tragédia e por revelar as complexidades da saúde mental no contexto político.
O suicídio de Plínio Gayer na Câmara dos Deputados em 1953 é um dos episódios mais sombrios da história parlamentar brasileira. A confirmação pela autópsia que a causa foi doença mental com alucinações, e não câncer como inicialmente divulgado, corrige a narrativa histórica e destaca a importância de informações precisas em casos de saúde mental.
Para a família Gayer, o evento permanece como parte de sua história política, que continua viva através de Gustavo Gayer, o bisavô do deputado que hoje representa Goiás no Congresso Nacional.
Você tem WhatsApp? Entre em um dos canais de comunicação do JORNAL DO VALE para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens, clique aqui
JORNAL DO VALE – Muito mais que um jornal, desde 1975 – www.jornaldovale.com
Siga nosso Instagram – @jornaldovale_ceres
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a redação do JORNAL DO VALE, através do WhatsApp (62) 98504-9192










































