Em edições passadas, falamos sobre a rinite decorrente do uso de vasoconstrictores tópicos, os famosos “remédios para desentupir o nariz”. São medicamentos potentes, que desentopem o nariz quase que imediatamente, e existem milhares de pessoas viciadas em remédios de pingar no nariz. Hoje falarei sobre um assunto que não é propriamente da minha especialidade, a otorrinolaringologia, mas trata-se também de um vício. Um problema de saúde muito sério que é a dependência dos smartphones.
Nunca tivemos uma indústria do entretenimento tão poderosa e nunca tivemos uma geração tão triste. A juventude mundial atravessa dias dramáticos. Esse drama coincide com a intoxicação digital na atualidade com a ascensão das redes sociais e dos smartphones. O uso excessivo de celulares gera irritabilidade, enfadonho, solidão e, além disso, diminui no cérebro a melatonina, que é a molécula de ouro que induz e estabiliza o sono. Os jovens e adultos estão dormindo menos e com má qualidade. O uso descontrolado de smartphones, a atenção excessiva às redes sociais, a comparação da felicidade utópica expressa pelos ícones dessas redes bem como a intoxicação produzida pelo consumismo e pelo excesso de informação alteraram o ritmo de construção de pensamentos e produziram, uma das mais dramáticas síndromes da atualidade. A síndrome do pensamento acelerado, descrita pelo psiquiatra e escritor Dr. Augusto Cury.
Uma criança de sete anos de idade tem, provavelmente hoje, mais informações no seu cérebro que os grandes líderes mundiais do passado. A Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), é confundida por médicos e por pessoas do mundo todo como hiperatividade ou transtorno de déficit de atenção. Crianças, que deveriam ter a emoção livre, correndo, pulando, brincando, contemplando o belo e liberando calmantes naturais, fazem uso de medicamentos como ansiolíticos e calmantes. São sintomas da SPA: irritabilidade, baixo grau para frustração, déficit de concentração e memória, dor de cabeça, dor no corpo, acordar cansado, intolerância com pessoas mais lentas, dificuldades para dormir devido à quantidade de pensamentos.
O transtorno do sono era raro no passado e hoje é extremamente comum. Quem usa uma hora do seu celular por dia pode comprometer quinze minutos do seu sono à noite. Cuidado! Não dê celulares sem nenhum controle para seus filhos. O ideal é que a criança tenha no máximo uma hora por dia para entrar nas redes sociais. Não são apenas drogas como a maconha, cocaína e álcool que viciam. As mídias digitais também causam dependência. A necessidade neurótica de que outra pessoa dê um like é patológico.
As redes sociais e a tecnologia digital, com a democratização da informação e otimização de processos, trouxeram ganhos enormes. Mas cuidado! Devemos usar os smartphones com parcimônia e inteligência. Não use toda hora e não seja um viciado em entrar em aplicativos e nas redes sociais. Lembre-se sempre de contemplar o belo. Observe as pequenas coisas que estão ao seu redor e faça dessas pequenas coisas um espetáculo aos olhos.
Essas são as dicas do Dr. Fabiano Santana Moura. Otorrinolaringologista. Atende no Centro Clínico e Diagnóstico São Pio X. Telefone: 3307-1505. Whatsapp (62) 9962-6052

Jornal do Vale, desde 1975 – www.jvonline.com.br













































