A faixa etária dominante entre os internados em leitos de UTI Covid-19, em um mês está abaixo de 60 anos de idade. Pela primeira vez a cada 10 internados 6 são pessoas com menos de 60 anos. Em abril, eram 5. Antes, até dezembro, não chegavam a 4. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e são relativos a todas as UTIs, tanto da rede pública como particular.
Desde junho de 2020, quando o total de mortes por Covid-19 passou a ficar sempre acima de 100 por semana, o perfil dominante entre os pacientes mais graves estava entre 60 e 69 anos ou 70 e 79. Em maio deste ano, a faixa preponderante foi a de entre 50 e 59 anos. A faixa entre 40 e 49 anos aparece em segundo com maior porcentual em maio, sendo que até janeiro ficava entre as com menor taxa de internação.
Com o avanço da vacinação entre os mais idosos, a escala foi se invertendo. Em abril, os pacientes com até 59 anos já eram maioria nas UTIs Covid-19 em Goiás, com 52,8%. Agora já são 63,2%. Isso teve reflexo imediato também no porcentual de mortos por Covid-19 por faixa etária.
Boletim divulgado nesta terça-feira (15) mostrava que a taxa de ocupação de UTIs na rede estadual girava em torno de 85,8%, com 478 pessoas internadas. Na rede municipal de Goiânia, a taxa estava em 86,7%, com 216 pacientes em estado grave. Nos últimos dias, a primeira rede tem visto o índice ficar entre 85% e 90%, enquanto a segunda tem sofrido com um aumento no porcentual. De acordo com as autoridades, isso se deve à contaminação de um público mais novo.
Especialista em fisioterapia respiratória que atua na linha de frente contra a Covid-19 desde o início da epidemia, Alessandra Carneiro Dorça diz que o perfil dos pacientes mudou durante a segunda onda, cujo pico foi entre março e abril, e que agora são pessoas mais jovens internadas, com um quadro clínico mais grave.
“Agora a média é de até 50 anos. Tenho pacientes de 27 anos, de 32 anos, pessoas muito jovens, e com a doença muito grave. Estão ficando (em estado) grave e a mortalidade é muito alta”, comenta Alessandra.
A primeira faixa etária a ver cair o porcentual de pacientes dentro do total de internados em UTI foi a de 80 anos ou mais, que chegou a 20% em setembro e desde março se encontra abaixo dos 10%. Em seguida a de 70 a 79 anos, que por três meses (agosto, novembro e dezembro) foi a mais crítica, mas caiu mais significativamente a partir de abril deste ano.
Por outro lado, o levantamento mostra que além da faixa entre 50 e 59 anos, também subiu o número de internações na de 40 a 49 anos, que, pela segunda vez desde o início da epidemia, ficou acima de 20% dos internados em estado mais grave. A primeira foi ainda no primeiro mês, em março do ano passado, quando o coronavírus ainda estava se espalhando pelo Estado.
O infectologista Marcelo Daher, que atua na Santa Casa de Anápolis e no Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), diz que é comum, num primeiro momento de cada onda, que os grupos mais jovens sejam estatisticamente mais afetados, pois são os mais expostos. E que esta segunda onda veio com um impacto maior que a primeira, o que poderia explicar, com o avanço da vacinação entre os idosos, o aumento do porcentual de jovens nas UTIs em relação ao total de internados. Ainda segundo Daher, os próximos meses vão mostrar pelos números se essa queda do porcentual de idosos entre os casos mais graves se deve à vacinação.
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