No auge da pandemia de Covid-19, no ano passado, quando o Brasil chegava à marca de 600 mil mortes pelo coronavírus, uma legião de servidores públicos trabalhava silenciosamente, objetivando cumprir sua missão: “dar a cada um o que é seu”.
Naquele momento delicado, os analistas judiciários do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) superavam um recorde, efetivando mais de 5 milhões de atos processuais na Justiça, mais que o dobro registrado antes da pandemia.
Esse resultado, em crescimento exponencial, não é nenhuma novidade.
Ano após ano, o Tribunal de Justiça goiano vem superando todas as metas encaminhadas pelo Conselho Nacional de Justiça, sendo por diversas vezes premiado pelo próprio Sistema de Justiça. É o que acontecerá no próximo dia 24 de maio quando, uma vez mais, o CNJ consagrará o TJ-GO campeão em produtividade, graças ao desempenho extraordinário dos servidores da Casa Julgadora de Goiás.
Todo esse compromisso e responsabilidade resultou, recentemente, em uma redução de 60% do acervo processual em 200 unidades judiciárias goianas. Quando a crise sanitária obrigou os analistas a trabalharem em casa, eles produziram 800 mil atos a mais que no mesmo período anterior à pandemia. Diante de um cenário tão grave, os servidores do Judiciário deram sua contribuição, assim como muitos servidores, hoje aposentados, também o fizeram.
As consequências pandêmicas na Justiça só não foram piores porque existiram os analistas judiciários, que expediram um mandado e saíram em diligência para que aquele paciente fosse definitivamente internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Caso não existisse aquele servidor para expedir e cumprir o mandado, certamente aquele paciente seria um número estatístico para o governo e uma perda irreparável para sua família.
Em meio à pandemia, muitos sucumbiram! Não há uma estatística oficial, mas em outubro de 2021, em ato público realizado pelo Sindjustiça em homenagem às vítimas da Covid-19, as mortes entre os servidores do TJ-GO já somavam 22 homens e mulheres que, mesmo em um dos momentos mais graves já enfrentados pela população mundial, não deixaram a Justiça parar.
No dia 24 deste mês, quando o TJ-GO for mais uma vez reconhecido pelo excelente desempenho nas metas estabelecidas pelo CNJ, por trás dessa estatística estarão analistas judiciários que têm levado Goiás a ocupar o topo do ranking dos tribunais mais produtivos do país, porém ocupante da última colocação quando o quesito é valorização do servidor.
Fabrício Duarte é servidor do Judiciário e presidente do Sindjustiça
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