O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou, nesta segunda-feira (5), que vai apurar a conduta do médico e de outros profissionais possivelmente envolvidos no caso do auxiliar de serviços gerais José Ribeiro da Silva de 62 anos, que foi declarado como morto no Hospital Estadual do Centro Norte (HCN) em Uruaçu, enquanto, na verdade, ainda estava vivo. José Ribeiro morreu dois dias depois em uma UTI em Ceres no Vale do São Patrício.

Ele foi dado como morto na terça-feira (29), no HCN e a unidade de saúde chegou a emitir um atestado de óbito informando que a causa da morte tinha sido em consequência de um câncer na língua.

O médico Lucas Campos, que atestou o óbito do paciente, foi afastado. A defesa do profissional disse que vai se manifestar apenas para os órgãos responsáveis pelas investigações.
Após ser dado como morto por engano, José ficou em um saco plástico por 5h, foi levado a uma funerária em Rialma, onde um funcionário descobriu que ele estava vivo. Depois disso, ele foi levado para outra unidade de saúde na mesma cidade, onde foi transferido para Ceres e morreu na quinta-feira (1º).
O HCN informou que uma sindicância foi instaurada para apurar o caso e que o médico, que fez o atestado, foi afastado.
Encaminhado para a funerária vivo
A irmã de José, Aparecida Ribeiro da Silva, ficou revoltada com a situação. “É inacreditável o que aconteceu. Meu irmão passou cinco horas em um saco plástico, gelado. Foi horrível, é inadmissível uma situação dessas”, disse.
Ela disse que recebeu a notícia da morte dele por volta das 20h. Ela foi ao hospital, onde um médico e uma assistente social a receberam. A família, então, fez os procedimentos para a liberação do corpo, sem saber que ele estava vivo.
José teve o corpo colocado dentro de um saco usado para remoção de pessoas mortas e levado pela funerária para Rialma, cidade natal da família. Quando o saco foi aberto para que o homem fosse preparado para velório e enterro, funcionários perceberam que José estava vivo, com olhos abertos e respirando com dificuldade.
“O funcionário da funerária me ligou desesperado pedindo para que eu fosse lá, que meu irmão estava vivo”, disse Aparecida.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou que ele estava vivo. O idoso foi encaminhado para o Hospital de Rialma. Ele estava em estado gravíssimo e com instabilidade clínica. Ele recebeu o atendimento necessário e foi transferido em estado grave para uma UTI em Ceres na noite de quarta-feira (30).
Morte dois dias depois
Dois dias depois de ter sido dado como morto e ainda estar vivo, na última quinta-feira (1º), o auxiliar de serviços morreu. No dia seguinte, o delegado da Polícia Civil (PC), Peterson Amin informou que apurou que a causa da morte foi hipotermia, o que vai agravar a responsabilidade do médico que atestou a morte de José.
Amin explicou que, depois que o idoso foi declarado morto, foi levado para uma câmara fria e colocado dentro de um saco para manter a temperatura baixa.
“A causa da morte sendo hipotermia aumenta a responsabilidade do médico, por isso a gente vai alterar a tipificação do inquérito, que antes estava como tentativa de homicídio, hoje, está como homicídio consumado, por dolo eventual”, enfatizou.
O corpo de José Ribeiro foi enterrado na cidade de Rialma.
Veja a íntegra da nota do Cremego
“O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) tomou conhecimento do caso pela imprensa e vai apurar se a conduta de médicos envolvidos no atendimento transgride a ética médica”.
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