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opinião

Sem arrependimentos

Questionar nos ajuda a decidir onde e quando investir tempo e energia
Melina Lobo é advogada e conselheira de administração

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Se existe uma coisa que eu quero na vida é ter um livro de arrependimentos com pouquíssimas páginas, levinho, levinho… Bem ao contrário daquele que a personagem Nora Seed encontra em sua estante pessoal no livro A biblioteca da meia-noite, escrito por Matt Haig.

Por isso, me dedico às coisas que considero importantes. E não são poucas. Nessa busca, me ligo a mulheres que, como eu, fazem escolhas baseadas em seus desejos.

Cuidar do nosso ativo mais valioso, o tempo, ganha apelo de prioridade. Aquela famosa rima “deixa a vida me levar” não combina com a gente. Existem perguntas fundamentais a serem respondidas: “O que eu quero?”, “Por que estou me dedicando a isso?”, “Qual é a minha intenção?”.

Questionar nos ajuda a decidir onde e quando investir tempo e energia.

Vivemos com entusiasmo. Gostamos de nos divertir. Somos criativas, curiosas e buscamos desafios. Compartilhamos aprendizados porque isso nos traz alegria e multiplica nossa energia. Não tememos a concorrência, sustentamos a singularidade.

Respeitamos o ritmo a cada dia. Quando aceleradas, pensamos rápido e agimos também. Podemos ser contemplativas, apreciar o silêncio, uma música calma e a beleza da natureza.

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Aprendemos a agradecer as pequenas e as grandes coisas. Observamos o céu e nos surpreendemos com a emoção que sentimos. Gostamos do nascer e do pôr do sol, apreciamos os ciclos da vida, sabemos que tudo o que nasce, morre. Encaramos a finitude como algo natural.

Podemos ser vulneráveis, temer tempestades. Nessas horas, preferimos estar acompanhadas de quem amamos.

Procuramos dar, não apenas porque assim fomos ensinadas a ser – e, sim, escolhendo esse lugar -, e ao mesmo tempo usufruímos do receber sem o medo de parecermos frágeis. Sermos generosas não significa ingenuidade, mas reconhecer o interlocutor é um exercício diário para não darmos pérolas aos porcos.

Somos surpreendentes! Gostamos de fazer grupos que nos ajudem a sustentar nossa individualidade. Mas também rangemos os dentes se o momento assim exigir.

Se você encontrar uma de nós pelo caminho, pode se aproximar. Na nossa ciranda sempre cabe mais um.

 Melina Lobo é advogada e conselheira de administração

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