O ano de 2025 foi marcado por intensos conflitos armados em diferentes regiões do mundo, com impactos diretos sobre a geopolítica e economia global. Entre os mais visíveis estão a guerra entre Rússia e Ucrânia e o confronto entre Israel e Hamas, cujos efeitos extrapolam a Faixa de Gaza e alcançam todo o Oriente Médio. Paralelamente, conflitos igualmente devastadores, embora menos noticiados, persistem em países como Síria, lêmen, Sudão e Etiópia.
No Leste Europeu, a guerra iniciada em 2022 com a invasão russa ao território ucraniano caminha para um possível desfecho em 2026, em um contexto de crescente fragilidade ucraniana e redução do apoio internacional. Resta saber como ficará a situação da vencida Ucrânia e a configuração geopolítica dessa região que é o placo das principais tensões entre a Europa Ocidental e a Rússia de Vladimir Putin. Diante da superioridade russa e do distanciamento dos Estados Unidos de seus aliados europeus é bastante provável que o continente europeu seja cenário de graves preocupações a nível de segurança mundial no ano que se inicia.
Já no Oriente Médio, o conflito envolvendo Israel e Palestina permanece sem perspectiva clara de solução, agravado pela atuação do Irã e pela escalada de tensões em rotas estratégicas de comércio e energia, como as águas que circundam a península arábica, desde o Mar Vermelho até o Golfo Pérsico. A eminência de um conflito em direto entre Israel, apoiado pelos Estados Unidos, e o Ira, que certamente conta no mínimo com a empatia, que pode evoluir para apoio mais direto, da China e da Rússia, no ano de 2026 é perspectiva bem possível diante da escalada de agressões mútuas, além da crescente preocupação com o programa nuclear iraniano por parte de seus inimigos.
As guerras civis na Síria e no lêmen continuam a ameaçar a segurança regional, alimentar crises humanitárias e favorecer a atuação de grupos extremistas. O lêmen, por exemplo, já funciona como a base principal de reestruturação da famigerada Al Qaeda, a organização responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001.
A instabilidade síria, após a queda do regime de Bashar al-Assad em 2024, abre espaço para novos focos de radicalização e insegurança com a transição de poder e o vácuo deixado pela saída do líder que governava o país com mão-de-ferro, a exemplo do que aconteceu com o Iraque após a queda do seu sanguinário ditador, Saddam
Hussein, em 2003.
No continente africano, conflitos no Sudão, Sudão do Sul, Etiópia e na região do Sahel intensificam o deslocamento forçado, a miséria e a violência, somando disputas étnicas, terrorismo e instabilidade política aos problemas sociais crônicos. Situação semelhante ocorre em partes da Ásia, como Myanmar, Afeganistão e o Cáucaso.
Na América Latina, o agravamento da violência no Haiti e no Equador, para não falar na situação caótica e as perspectivas de intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, contribui para um cenário regional altamente instável. Diante desse panorama, ainda que alguns conflitos arrefeçam em 2026, o cenário geopolítico global seguirá marcado por elevados níveis de tensão e incerteza, com reflexos na economia.03
Thiago Brito Steckelberg é bacharel em Relações Internacionais, especialista em Direito Internacional e mestre em Ciências Ambientais. Professor de Direito Internacional
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