Dos versos de Cora Coralina aos romances de uma nova geração, a literatura goiana segue escrevendo sua própria história. Neste sábado, 25, Dia Nacional do Escritor, a data convida a refletir sobre a força da produção literária no Estado e os desafios para aproximar escritores e leitores.
Além do legado de autores consagrados como a própria Cora, Hugo de Carvalho Ramos, Bernardo Élis, José J. Veiga, Gilberto Mendonça Teles e Bariani Ortêncio, entre outros, uma nova geração produz romances, poesias, contos, crônicas e literatura infantil. Ela encontra nas editoras independentes, nos eventos literários e nas plataformas digitais novas formas de publicação e diálogo com os leitores.
Para o presidente da União Brasileira de Escritores – Seção Goiás (UBE-GO), Ademir Luiz da Silva, a literatura produzida atualmente no Estado vive um de seus momentos mais consistentes. Segundo ele, Goiás reúne escritores com elevado nível estético e domínio da linguagem, comparável ao Grupo de Escritores Novos (GEN), que marcou a cena literária goiana na década de 1960.
“O que falta é maior visibilidade”, avalia Silva. Ele diz que a redução de espaços na imprensa tradicional fez com que muitos autores passassem a ser conhecidos apenas em nichos da internet. “É preciso aproximar a mídia tradicional e os ambientes digitais para ampliar o reconhecimento dessa nova geração”, defende.
Na avaliação do gestor da UBE, Goiás também se destaca pelas políticas públicas voltadas ao livro e à leitura. Ele cita ações da Secretaria de Estado da Cultura e iniciativas como o VII Encontro Nacional de Escritores, realizado neste ano em Goiânia, que reuniu autores de diversas regiões do país.
O presidente da UBE-GO ressalta a importância de fortalecer programas de distribuição de livros, bibliotecas públicas e concursos literários, garantindo que as obras produzidas com recursos públicos cheguem efetivamente aos leitores.
Ações na Alego
Nos últimos anos, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) tem aprovado iniciativas voltadas ao fortalecimento da literatura e à valorização dos escritores goianos. Entre elas está a Lei nº 24.088/26, de autoria do deputado Antônio Gomide (PT), que instituiu a Semana Estadual do Livro Infantil, realizada anualmente na semana do dia 18 de abril.9.
Também foi aprovada a Lei nº 23.938/25, proposta pela deputada Bia de Lima (PT), que criou a Política Estadual de Incentivo à Literatura Goiana. A norma busca ampliar o acesso às obras de autores do Estado, incentivar a formação de novos escritores e preservar a literatura goiana como patrimônio cultural.
Outra iniciativa em tramitação é o projeto do deputado Cristóvão Tormin (PRD) que institui a Medalha Jovem Escritor das Escolas Públicas do Estado de Goiás, para reconhecer estudantes da rede pública que se destacam na produção literária e estimular o interesse pela leitura e escrita.
O incentivo também se estende por meio de emendas parlamentares. Emenda do deputado Mauro Rubem (PT) destinou R$ 100 mil ao projeto Espaço Literar, do Instituto Federal de Goiás (IFG-GO), em parceria com escolas municipais de Aparecida de Goiânia, para acesso à literatura infantojuvenil.
Além da atividade legislativa, a Alego abre espaço para difusão da produção literária. Neste ano, o Palácio Maguito Vilela sediou a mostra “Antofagasta: exposição de poesia moderna” e recebeu o lançamento do livro “A Rebelião”, do promotor Haroldo Caetano, reforçando o compromisso da Casa com a cultura goiana.
Nos últimos anos, a Alego também tem contribuído para esse debate ao apreciar propostas voltadas ao incentivo à literatura e à valorização dos escritores goianos, reconhecendo o livro como instrumento de educação, cultura e desenvolvimento social.
Relação com o público
Aos 80 anos, o jornalista e escritor Ivair Lima, que lançou “Uma Noite Com Ingmar Bergman e Com a Morte”, acredita que a literatura goiana vive momento de renovação. Para ele, o sucesso de um livro depende da capacidade do autor de construir relação com o público. “É preciso ir onde o leitor está”, resume.
Embora a produção literária apresente sinais de fortalecimento, especialistas concordam que ampliar o número de leitores é um dos principais desafios. Nesse contexto, bibliotecas, escolas, universidades, clubes de leitura e feiras literárias são fundamentais para democratizar o acesso ao livro.
No Dia Nacional do Escritor, é importante destacar, além dos autores que marcaram a história da literatura brasileira, aqueles que continuam escrevendo Goiás no presente, renovando uma tradição que preserva a memória e projeta novos horizontes para a cultura do Estado.
Fonte: Assembleia Legislativa de GO








































