A investigação que levou à prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra ampliou o foco para o filho mais velho dela, Giliard Vidal dos Santos — conhecido nas redes como Chefinho — após indícios de movimentações financeiras atípicas que passam por análise do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil.
Segundo os autos investigativos, Giliard, de 22 anos e com presença digital superior a um milhão de seguidores, teve mandados de busca e apreensão cumpridos após as autoridades identificarem transferências e entradas financeiras que somariam mais de R$ 11 milhões entre julho de 2022 e maio de 2024, transações que agora são examinadas para verificar eventual ocultação patrimonial.
A presença de movimentações volumosas em contas de um jovem sem histórico empresarial formal acendeu o interesse dos investigadores, que apontam padrão de operações compatível com técnicas usadas para mascarar a origem de recursos — motivo que costuma ligar apurações de lavagem de dinheiro a estruturas de fachada, empresas de conveniência e redes de transferência complexas.
Analistas consultados por veículos de imprensa ressaltam que o uso de redes sociais e de esquemas envolvendo plataformas de apostas ou empresas de fachada é um rastro recorrente em investigações que cruzam influenciadores digitais e organizações criminosas, porque cria um ambiente onde fluxos financeiros legítimos e ilícitos se misturam com maior facilidade.
A apuração também investiga suposta ligação financeira entre pessoas do círculo de Deolane e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente em operações que teriam usado transportadoras e empresas para dar aparência lícita a recursos vinculados ao grupo criminoso, segundo a denúncia que motivou a operação que prendeu Deolane.
Do ponto de vista processual, não há decisão judicial definitiva sobre responsabilizações criminais — o caso segue em investigação e a colheita de provas, bloqueios e perícias bancárias deve orientar os próximos passos, incluindo medidas cautelares ou indiciamentos, caso os promotores entendam haver elementos suficientes.
A defesa de Deolane tem afirmado publicamente que qualquer relação com pessoas investigadas decorreu da atuação profissional dela como advogada criminalista, e nega participação em prática ilícita; familiares e assessoria também têm utilizado as redes para questionar o tratamento midiático do caso enquanto a apuração está em curso.
O episódio levanta questões mais amplas sobre vulnerabilidades no fluxo de capitais digitais e sobre como perfis com grande alcance nas redes podem ser usados para dar visibilidade (e por vezes legitimidade financeira) a transações que exigem maior escrutínio, tema que deve ser explorado nas próximas fases da investigação e no debate público sobre regulação de plataformas e rastreamento de capital.
Exemplo ilustrativo: se as apurações confirmarem que transfers rotineiras para contas de criadores de conteúdo foram, em essência, canais para alojar recursos de origem criminosa, a consequência prática será não só a imputação de crimes a indivíduos, mas também maior pressão por medidas como bloqueios preventivos, maior integração entre autoridades e plataformas e reformas regulatórias no setor de fintechs e apostas.
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