A procura por carros elétricos usados cresceu de forma expressiva no Brasil e começa a transformar o mercado de seminovos. Dados da plataforma Webmotors indicam que as buscas por “comprar carro elétrico usado” subiram 71% entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o período de setembro a dezembro de 2025, mostrando mudança no comportamento dos consumidores que buscam alternativas mais acessíveis à eletrificação.
A pesquisa, feita pela ferramenta Autoinsights com milhões de interações em canais como Google, YouTube, TikTok e X, também apontou alta de 72% nas pesquisas por “carro elétrico usado” e 35% nas consultas sobre “quanto vale um carro elétrico”. Os números sugerem que o público não só deseja entrar na mobilidade elétrica, como passou a avaliar com mais atenção preço, desvalorização e potencial de revenda.
A expansão da frota eletrificada acelera o movimento. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), os emplacamentos de veículos eletrificados cresceram 26% em 2025, impulsionados pela chegada de marcas chinesas e pela ampliação da oferta de modelos híbridos e totalmente elétricos. Esses carros, vendidos principalmente entre 2022 e 2024, começam agora a voltar ao mercado, ampliando a oferta de seminovos.
Em Goiânia, onde a infraestrutura de recarga tem avançado, concessionárias e revendas relatam aumento na demanda por elétricos usados. A instalação de eletropostos em shoppings, supermercados e condomínios facilita o uso diário desses veículos e reduz a barreira para compradores interessados em modelos seminovos.
Indicadores de preço mostram uma mudança inédita. Levantamento da Indicata Brasil registrou que, entre março e maio de 2026, os veículos 100% elétricos foram a única categoria a apresentar valorização no preço médio anunciado de seminovos, com alta de 0,91 ponto percentual. Enquanto isso, carros flex, diesel e híbridos registraram queda de preço. De acordo com a consultoria, a valorização dos elétricos decorre de oferta ainda limitada diante de uma demanda crescente e do menor tempo de permanência desses modelos nos estoques das revendas.
Alguns modelos se destacam pela velocidade de revenda, como BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e GWM Ora 03, indicando que em diversos mercados a procura já supera a disponibilidade. Ao mesmo tempo, a chegada de elétricos zero-quilômetro mais baratos — entre eles BYD Dolphin Mini, Geely EX2 e Renault Kwid E-Tech — cria nova dinâmica de competição na faixa de R$ 100 mil a R$ 130 mil, pressionando alguns seminovos a ajustarem preços para se manterem atraentes.
Especialistas orientam atenção a fatores além do preço na hora de comprar um elétrico usado, como tempo restante de garantia da bateria, custo do seguro, disponibilidade de peças e histórico de manutenção. A adequação da infraestrutura de recarga na cidade de uso também é citada como critério decisivo para a compra.
Com maior oferta, preços em transformação e infraestrutura em expansão, o mercado brasileiro de seminovos eletrificados entra em uma fase de consolidação, oferecendo opções mais acessíveis para quem deseja migrar para a mobilidade elétrica sem comprar um carro novo.
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