A campanha Julho Amarelo reforça a importância da conscientização, prevenção e controle das hepatites virais, infecções que atingem o fígado e podem causar graves consequências à saúde quando não identificadas precocemente. O Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) alerta para a necessidade da realização de testes e da atualização da vacinação como medidas fundamentais no enfrentamento da doença.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) apontam que, entre janeiro e maio de 2026, foram registrados 249 casos de hepatites virais e 10 óbitos no estado. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 414 casos e 16 mortes. Durante todo o ano de 2025, Goiás registrou 981 casos da doença e 42 óbitos.
No HDT, foram registradas 38 notificações de hepatites virais entre janeiro e 15 de junho de 2026. No mesmo período de 2025, foram 30 notificações, o que representa aumento de oito casos.
Silenciosa
As hepatites virais são causadas por diferentes vírus identificados pelas letras A, B, C, D e E. Embora tenham formas distintas de transmissão e evolução, todas provocam inflamação no fígado e podem comprometer o funcionamento do órgão.
Segundo a infectologista do HDT, Renata Bernardes, os tipos A, B e C estão entre os mais frequentes na população. “As hepatites virais têm em comum o fato de atingirem o fígado. Dependendo do tipo, podem provocar desde quadros leves até doenças graves, como cirrose e câncer hepático”, explica.
A hepatite A costuma apresentar sintomas mais evidentes, como febre, náuseas, vômitos e icterícia. Já as hepatites B e C frequentemente evoluem de forma silenciosa, sem sinais perceptíveis, o que dificulta o diagnóstico precoce. “Muitas vezes, a pessoa só descobre que tem hepatite B ou C quando já apresenta complicações mais graves. Por isso, a testagem é fundamental”, destaca a médica.
Prevenção
A transmissão varia conforme o tipo da doença. A hepatite A ocorre principalmente por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. Já as hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos perfurocortantes, materiais sem esterilização adequada e relações sexuais desprotegidas.
A especialista destaca que as vacinas contra as hepatites A e B estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e representam uma das formas mais eficazes de prevenção.
Além da vacinação, medidas simples ajudam a reduzir o risco de infecção, como o uso de preservativos, a realização de procedimentos estéticos e tatuagens em locais seguros e a não partilha de objetos como lâminas, alicates e cortadores de unha.
Diagnóstico
Segundo Renata Bernardes, um dos principais desafios é o fato de muitos pacientes conviverem com a doença sem diagnóstico. “O mais importante hoje é testar. A sorologia permite identificar precocemente a infecção, verificar a necessidade de vacinação e iniciar o tratamento antes que ocorram complicações”, afirma.
A médica destaca ainda os avanços no tratamento da hepatite C, com medicamentos disponíveis no SUS, de uso simples e altas taxas de cura. “Hoje a hepatite C é uma doença curável. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de evitar a progressão da doença”, completa
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