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Entenda a ciência por trás da biologia e dos hábitos que fazem mulheres viverem mais do que os homens

Diferença na expectativa de vida é observada em praticamente todo o mundo e resulta da combinação de fatores hormonais, genéticos, comportamentais e sociais
Entenda a ciência por trás da biologia e dos hábitos que fazem mulheres viverem mais do que os homens. Foto: Divulgação

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As mulheres vivem, em média, cerca de cinco anos a mais do que os homens. Essa diferença é observada em praticamente todos os países, embora sua magnitude varie de acordo com fatores biológicos, sociais, econômicos e comportamentais. Em países como Rússia, Ucrânia e Vietnã, a vantagem feminina supera dez anos, enquanto na Nigéria essa diferença é significativamente menor, de acordo com dados do Our World in Data, plataforma desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford.

O tema voltou a ganhar destaque após uma análise da BBC reunir estudos conduzidos por pesquisadores do Instituto de Oxford para Envelhecimento da População, da Universidade de Valência, na Espanha, e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha. As pesquisas indicam que não existe uma única explicação para a maior longevidade feminina, mas um conjunto de fatores que envolve genética, hormônios, comportamento e evolução.

“Estudos recentes demonstram que a maior expectativa de vida das mulheres decorre da interação entre fatores biológicos, comportamentais e ambientais. A longevidade feminina não pode ser atribuída exclusivamente aos hormônios ou ao estilo de vida, mas sim a um fenômeno multifatorial, amplamente documentado na literatura científica”, explica o médico intensivista e nutrólogo Dr. José Israel Sanchez Robles.

Dr José Israel R. Foto: Divulgação

Entre as principais hipóteses está a proteção oferecida pelo estrogênio durante boa parte da vida da mulher. O hormônio contribui para o controle do colesterol, possui ação antioxidante, auxilia na resposta imunológica e ajuda a proteger o sistema cardiovascular, o cérebro e os ossos. Após a menopausa, quando os níveis de estrogênio diminuem, aumenta também o risco de doenças cardiovasculares e osteoporose, o que reforça a importância do acompanhamento médico nessa fase.

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Outro fator investigado é a genética. Mulheres possuem dois cromossomos X, enquanto homens possuem um cromossomo X e um Y. Pesquisadores acreditam que essa duplicidade pode funcionar como uma proteção natural contra mutações genéticas, reduzindo o impacto de alterações que favoreçam o desenvolvimento de determinadas doenças.

“Ter dois cromossomos X pode representar uma vantagem biológica por ampliar a capacidade de compensação de determinadas alterações genéticas. Esse é um dos mecanismos investigados para explicar por que as mulheres apresentam menor suscetibilidade a algumas doenças ao longo da vida”, afirma o médico entrevistado.

As pesquisas também mostram que fatores comportamentais têm grande influência sobre a expectativa de vida. Homens fumam mais em diversos países, consomem mais bebidas alcoólicas, trabalham com maior frequência em atividades de risco e apresentam índices superiores de mortes por acidentes de trânsito, violência, homicídios e suicídios. Além disso, costumam procurar menos os serviços de saúde e realizar menos exames preventivos.

Esses comportamentos ajudam a explicar por que campanhas de combate ao tabagismo reduziram parte da diferença entre homens e mulheres em países como o Reino Unido nas últimas décadas, evidenciando que mudanças de hábitos podem aumentar significativamente a longevidade masculina.

“A prevenção permanece entre os principais determinantes da longevidade. Consultas médicas periódicas, controle dos fatores de risco, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e cessação do tabagismo têm impacto comprovado na redução da mortalidade prematura, especialmente entre os homens”, destaca José Israel.

Os cientistas também investigam explicações para esse fenômeno à luz da evolução das espécies. Entre mamíferos, como seres humanos, leões, orcas e primatas, as fêmeas, em geral, apresentam maior expectativa de vida do que os machos. Em muitas espécies de aves, entretanto, observa-se o padrão oposto. Um estudo publicado em 2025 por pesquisadores do Instituto Max Planck mostrou que espécies monogâmicas tendem a apresentar diferenças menores na expectativa de vida entre machos e fêmeas. Já nas espécies em que há maior competição dos machos por parceiras, como leões e gorilas, essa diferença costuma ser mais pronunciada. Uma das hipóteses é que o maior investimento energético em competição reprodutiva e no desenvolvimento de características relacionadas ao sucesso reprodutivo ocorra em detrimento da longevidade.

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Foto: Divulgação

Apesar da maior expectativa de vida, as mulheres permanecem mais tempo convivendo com doenças crônicas incapacitantes, como dor lombar, depressão, osteoporose e doenças inflamatórias. Esse fenômeno evidencia que viver mais não significa, necessariamente, envelhecer com melhor qualidade de vida.

“Mais importante do que aumentar os anos de vida é ampliar os anos vividos com autonomia, funcionalidade e saúde. A ciência demonstra que homens e mulheres podem reduzir fatores de risco, prevenir doenças e favorecer um envelhecimento mais saudável por meio da adoção de hábitos de vida saudáveis e do acompanhamento médico regular”, conclui o médico Dr. José Israel.

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