A anestesiologista Letícia Carvalho, de Campinas (SP), viralizou nas redes sociais ao alertar: “Minta para o padre, minta para o pastor, minta para a sua melhor amiga. Para o anestesista, nunca”. O recado, que parece brincadeira, trata de segurança real em cirurgias.
No caso relatado por ela, uma paciente de 42 anos, que faria retirada da vesícula, afirmou estar em jejum desde as 20h do dia anterior e não ter ingerido nada depois disso. Durante a indução da anestesia, houve grande retorno de conteúdo gástrico. A equipe precisou intubar a mulher e levá-la à UTI, por risco de o material do estômago atingir os pulmões e causar pneumonia por aspiração.
O jejum pré-operatório existe para reduzir esse risco. Quando o paciente está sob anestesia, os reflexos que protegem a via aérea ficam relaxados; se houver alimento ou líquido no estômago, ele pode voltar e ser aspirado, provocando complicações graves, inclusive risco de morte. Por isso, qualquer informação omitida sobre o que foi comido ou bebido antes da cirurgia pode colocar a vida em perigo.
A médica destacou que o vídeo não é sobre moralidade, mas sobre prevenção. “Quando a gente fala que o jejum é importante, não é para mim, não é para o cirurgião. O jejum é importante para o paciente”, afirmou.
Antes de uma cirurgia com anestesia, siga à risca as orientações da equipe sobre alimentação e líquidos e informe tudo o que foi ingerido, mesmo em pequenas quantidades. Em caso de dúvida, pergunte — não assuma.
Assista;
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