Para quem busca uma vaga de estágio ou a primeira oportunidade profissional, ampliar as competências pode fazer parte da preparação para o mercado de trabalho. Nesse contexto, o conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) pode complementar a formação acadêmica e ajudar estudantes a lidar com situações que envolvem comunicação com pessoas surdas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,3 milhões de pessoas com 2 anos ou mais tinham deficiência auditiva no Brasil em 2019. O levantamento considerou quem declarou ter muita dificuldade para ouvir ou não conseguir ouvir de modo algum. Naquele ano, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) investigou, pela primeira vez, o conhecimento de Libras.
Libras pode fazer diferença no mercado de trabalho
Entre as pessoas de 5 a 40 anos com deficiência auditiva, 22,4% declararam saber usar Libras, segundo a PNS 2019. O percentual chegou a 61,3% entre aqueles que não conseguiam ouvir de modo algum. Os dados mostram a presença da língua na comunicação de parte da população com deficiência auditiva.
O aprendizado pode ser especialmente relevante em profissões que envolvem contato direto com o público. Educação, saúde, atendimento, comércio, serviços e comunicação estão entre as áreas nas quais recursos de acessibilidade podem fazer parte da rotina profissional.
A legislação brasileira reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão desde a Lei nº 10.436, de 2002. O Decreto nº 5.626, de 2005, regulamentou a norma e estabeleceu a inclusão da disciplina na formação de professores e em cursos de Fonoaudiologia. Em outras graduações e na educação profissional, o ensino da língua é previsto como componente curricular optativo.
Qualificação ajuda na preparação profissional
Para estudantes, o conhecimento pode representar uma qualificação complementar, sem substituir as competências específicas exigidas por cada carreira. A habilidade também pode contribuir para ampliar o repertório profissional e preparar o candidato para ambientes que adotam práticas de comunicação inclusiva.
Os indicadores do IBGE apontam diferenças na inserção profissional de pessoas com deficiência. Em 2019, a taxa de participação desse grupo na força de trabalho era de 28,3%, menos da metade dos 66,3% registrados entre as pessoas sem deficiência. O indicador considera a população de 14 anos ou mais que estava ocupada ou desocupada.
Quando o recorte considera os diferentes tipos de deficiência, a taxa de participação das pessoas com deficiência auditiva foi de 28%. O índice ficou acima dos registrados para deficiências físicas nos membros superiores e inferiores e para deficiência mental, embora abaixo do observado entre pessoas com deficiência visual, de 37%.
Diferentes modalidades de formação estão disponíveis para quem deseja desenvolver essa competência. Um curso de libras pode integrar a preparação de estudantes durante a graduação ou antes de ingressar no mercado. O aprendizado tende a ser mais útil para profissionais que atendem clientes, orientam pacientes, interagem com estudantes ou prestam serviços a públicos diversos.
Aprender Libras não garante uma vaga de estágio ou emprego, mas pode acrescentar uma habilidade ao currículo e ampliar a preparação para situações que exigem comunicação acessível. Para quem está no início da carreira, a competência pode integrar um conjunto mais amplo de conhecimentos voltados à inclusão profissional.
Assim, o estudo da Língua Brasileira de Sinais pode contribuir tanto para a formação individual quanto para a criação de ambientes profissionais mais acessíveis. Em áreas com contato frequente com o público, essa preparação pode ajudar estudantes a chegar ao mercado de trabalho com um repertório profissional mais diversificado.
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