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setembro vermelho

Prevenção é o melhor remédio

Comprovadamente essas doenças não têm causas somente da idade avançada ou de fatores genéticos, mas resultam principalmente de hábitos prejudiciais acumulados ao longo da vida.

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Dentro do Setembro Vermelho é celebrado nesta terça-feira, 29, o Dia Mundial do Coração. A data busca reunir organizações de saúde, médicos e outros profissionais da área, universidades, escolas e demais membros da comunidade para celebrar e reconhecer a importância de se cuidar do coração. Em todo o globo, a data alerta para a importância da prevenção às doenças cardiovasculares e a conquista de uma boa qualidade de vida.

Esse dia foi estabelecido em 1999 por parceria entre a Federação Mundial do Coração (FMC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Sua criação foi originariamente proposta por Antoni Bayés de Luna, presidente da FMC com a pretensão de conscientizar a população sobre os riscos das doenças cardiovasculares e prevenir doenças que podem ser fatais.

Todos os anos, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) celebra a data com uma programação especial voltada para o incentivo de hábitos saudáveis, tais como: alimentação equilibrada, prática de atividades físicas regulares, redução dos níveis de colesterol e estresse, exclusão de fumo e álcool. A SBC também estimula que em todo o país diversas iniciativas e eventos sejam realizados ao longo deste dia, com cardiologistas realizando palestras, exames, postagens nas redes sociais, dentre outras ações.

É possível perceber o tamanho do desafio a ser enfrentado numa escala global, quando se confrontam os dados da OMS, indicando que mais de 19 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças do coração e da circulação. A população mais afetada ainda são aquelas que vivem em países de baixa e média renda, que muitas vezes carecem de recursos adequados para prevenção e tratamento.

No Brasil, as doenças cardiovasculares também lideram as causas de óbito. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 400 mil brasileiros morrem por ano em decorrência de problemas cardíacos, o que representa cerca de 30% de todos os óbitos no país. Em termos práticos, isso equivale a mais de mil vidas perdidas por dia devido a infartos, derrames (AVC), insuficiências cardíacas e outras complicações. Esse número impressionante supera, por exemplo, o total de mortes causadas por todos os tipos de câncer somados.

Principais estudos

Graças à ciência hoje já é possível saber que grande parte das doenças cardiovasculares está ligada a fatores de risco conhecidos e em sua maioria evitáveis: hipertensão arterial (pressão alta), diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, alimentação não saudável, sedentarismo e consumo excessivo de álcool estão entre os principais vilões do coração.

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Comprovadamente essas doenças não têm causas somente da idade avançada ou de fatores genéticos, mas resultam principalmente de hábitos prejudiciais acumulados ao longo da vida. Isso é o que aponta o Estudo de Framingham, um dos trabalhos médicos mais importantes do Século XX que forneceu informações cruciais para o reconhecimento da prevenção e o manejo da aterosclerose, suas causas e complicações.

Cinquenta anos de dados coletados dos residentes de Framingham, o estudo se tornou um grande divisor de água e dele resultaram mais de 1 mil artigos científicos que foram capazes de introduzir os conceitos de fatores de risco biológicos, ambientais e comportamentais; identificar os principais fatores de risco associados a doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e outras doenças; revolucionar a medicina preventiva; e mudar para sempre a forma como a comunidade médica e a população em geral enxergam a origem das doenças.

A National Library of Medicine ao listar as dez maiores descobertas da cardiologia no século passado, elencou, além do Estudo de Framingham outras importantes descobertas da área cardiovascular: a eletrocardiografia; as “hipóteses lipídicas” e a aterosclerose; as unidades de terapia intensiva coronariana; a ecocardiografia; a terapia trombolítica; o cateterismo cardíaco e a angiografia coronária; a cirurgia de coração aberto; os desfibriladores cardíacos implantáveis ​​automáticos; e a angioplastia coronária. Todas elas serviram de base para os maiores avanços da medicina cardiovascular preventiva.

Opinião de especialista

Ao falar sobre os principais avanços realizados neste Século XXI, o médico cardiovascular Marcellus Sousa Arantes, que compõe os quadros do Serviço de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho na Assembleia Legislativa de Goiás, observa que as descobertas anteriores criaram a base para os progressos percebidos, mas que nos últimos tempos muitos outros avanços ocorreram e existe a perspectiva de que muitos outros aconteçam brevemente.

O cardiologista avalia que essa área da medicina vem incorporando grandes mudanças e está reformulando a maneira como as doenças cardíacas são tratadas e prevenidas, com diagnósticos mais precisos e procedimentos cada vez menos invasivos. Segundo ele, essa mudança tem potencial para tornar a recuperação do paciente mais eficiente e oferecer qualidade de vida por mais tempo, representando um grande salto na área da cardiologia.

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“Já se percebe melhoria significativa nos aparelhos de tomografia, nos aparelhos de ressonância, nos aparelhos de imagens cada vez mais nítidas, no surgimento de softwares mais modernos que avaliam a saúde das artérias coronarianas, mostrando se existe formação de placas e qual a melhor intervenção”, explica o especialista.

Segundo ele, todos esses são avanços que dão a condição do paciente ser tratado com o grupo farmacológico das estatinas antes dos sintomas aparecerem ou garantir a precisão exata para o implante de um stent cardíaco farmacológico que desobstrui a artéria e melhora o fluxo sanguíneo.

De acordo com o cardiologista, ainda somam se a isso recursos como: a eletrocardiografia, as unidades de terapia intensiva (UTI), a ecocardiografia, a terapia trombolítica, o cateterismo cardíaco, a angiografia coronária, os desfibriladores cardíacos implantáveis automáticos, a angioplastia coronária.

Arantes assinala que esses avanços não representam apenas esperança, mas estão criando caminhos totalmente novos para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento, num esforço coletivo de salvar vidas.

Para um futuro bem próximo, a evolução deve ocorrer a nível molecular com o objetivo de alcançar diagnóstico cada vez mais precoce; individualizar a terapia podendo refinar ainda mais o tratamento com procedimentos minimamente invasivos; oferecer maior precisão atingindo resultados mais satisfatórios e com menos efeitos colaterais.

O cardiologista acredita que em pouco tempo vai ser possível pegar os métodos diagnósticos já consolidados, dados de exames físicos, história clínica, marcadores genéticos e cruzar todos eles com a Inteligência Artificial (IA), sendo possível refinar o diagnóstico com grau de precisão nunca antes visto e, depois, decidir por um tratamento personalizado com medicações individualizadas.

Sendo ainda mais otimista, ele acredita que chegará o momento em que será possível acessar o gene humano e reprogramar o RNA buscando alterar o tecido cardíaco doente para um totalmente saudável.

Mas até que esse mundo ideal não seja realidade, o médico cardiologista adverte que o melhor é que todos continuem seguindo o protocolo de cuidados cardíacos que envolve: alimentação equilibrada, prática de atividades físicas regulares, redução dos níveis de colesterol e estresse, controle do peso corporal, sono de qualidade, exclusão de fumo e álcool.

Fonte: Assembleia Legislativa de GO

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