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Política

Apelidos e personagens ganham espaço entre candidatos a deputado em Goiás

Mais de 100 concorrentes apostam em nomes de urna inusitados para se destacar nas eleições
Apelidos e personagens ganham espaço entre candidatos a deputado em Goiás. Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Em meio à disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e na Câmara dos Deputados, pelo menos 102 candidatos decidiram deixar de lado o nome de registro e apostar em apelidos, bordões, referências a personagens e características pessoais para aparecer na urna.

O levantamento, realizado com base nas listas oficiais de candidaturas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou nomes curiosos entre os 805 candidatos que disputam cargos de deputado estadual e federal em Goiás. São 556 concorrentes à Alego e 249 à Câmara dos Deputados.

Entre os nomes utilizados estão Zé do Caixão, Papacapim, Rosangela Cheirosa, Márcia Fofa, Bola de Fogo Zero Meia Dois, Mick Jagger e Tité D’Caprio. A estratégia é usada principalmente por candidatos que buscam se diferenciar em meio ao grande número de postulantes.

Segundo especialistas em direito eleitoral, o uso de nomes de urna diferentes é permitido quando o candidato é conhecido socialmente por aquela identificação. No entanto, a denominação não pode causar confusão sobre a identidade do concorrente, fazer referência a vínculo familiar inexistente, atentar contra o pudor ou utilizar símbolos e siglas de órgãos públicos.

Estratégia para chamar atenção

Para Cleone Meirelles, presidente da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB-GO, o nome de urna pode representar a forma como o candidato é reconhecido pela comunidade.

“O nome diferente tende a chamar a atenção do eleitor. Pode ser um apelido engraçado, irreverente ou até considerado ridículo por algumas pessoas, mas que identifica socialmente aquele candidato”, explicou.

Entre os exemplos está Rosangela Cheirosa, nome adotado por Rosangela Jube dos Santos. Candidata a vereadora por Goiânia em 2024, ela concorreu pelo PRD e recebeu 210 votos, sem conseguir se eleger. Agora, tenta uma vaga na Alego pelo mesmo partido.

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Outro caso é o do humorista Cláudio dos Santos Nogueira, que disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo MDB usando o nome Papacapim. Conhecido nas redes sociais pelo bordão “Oh, Papa-Capim dos meus sonhos”, ele reúne cerca de 1,5 milhão de seguidores no Instagram, mas ainda não venceu uma eleição.

Papacapim já havia concorrido a deputado estadual por Alagoas, em 2018, e a vereador por Maceió, em 2020. Nas duas ocasiões, terminou sem conquistar o mandato.

Na disputa estadual, Andreando Firmino de Oliveira aparece na urna como Bola de Fogo Zero Meia Dois. Ele tenta pela segunda vez uma eleição, depois de não conseguir uma vaga na Câmara Municipal de Goiânia em 2024.

Referências a personagens famosos

Alguns concorrentes adotaram nomes associados a figuras conhecidas da televisão, do cinema e da música. Pela Rede, Zé do Caixão faz referência ao personagem interpretado pelo cineasta José Mojica Marins.

Já Walcy Vieira, candidato do PT à Alego, acrescentou Mick Jagger ao nome de urna, em alusão ao vocalista dos Rolling Stones. No Republicanos, Tité D’Caprio remete ao ator Leonardo DiCaprio.

Na corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados, Roberto Junior, do Missão, utiliza o nome Ravengaar, grafia semelhante à de Ravengar, personagem da novela “Que Rei Sou Eu?”, exibida pela TV Globo em 1989.

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Outro candidato é Nixon das Casinhas, do PSB, que combina o nome do ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon com uma referência local.

Voto de protesto

Apesar de ajudarem a gerar visibilidade, os nomes inusitados nem sempre se convertem em votação expressiva ou em eleição. Para a advogada eleitoral Marina Morais, o eleitor pode usar esse tipo de candidatura como forma de protestar contra as opções consideradas tradicionais.

“Muitas vezes, a pessoa está insatisfeita com os candidatos que têm chance de eleição e escolhe alguém sem essa perspectiva, mas que representa uma postura irreverente ou de contestação”, afirmou.

A especialista citou o deputado federal Tiririca como um dos principais exemplos de candidato que conseguiu transformar um nome artístico em grande votação. Casos semelhantes, porém, são considerados exceções.

De acordo com Cleone Meirelles, a maioria dos candidatos que aposta em apelidos ou nomes chamativos não consegue conquistar uma cadeira no Legislativo. Em alguns casos, entretanto, essas candidaturas podem contribuir para o desempenho das legendas na eleição proporcional, ao somar votos para o partido ou federação.

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