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Brincar é a infância falando alto

Escutar o barulho do faz de conta e observar o silêncio concentrado diante de uma casinha de massinha. Ali mora a infância e, com ela, tudo o que precisamos para educar com sentido
Brincar é a infância falando alto. Foto: Freepik

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Quando entramos em uma sala de educação infantil e observamos as crianças correndo, empilhando blocos, misturando areia com água, encenando histórias ou simplesmente olhando uma formiga, estamos diante de um universo de aprendizados. Mas é preciso sensibilidade para enxergar tudo isso como deve ser: o brincar não é intervalo entre o aprender, ele é o aprender.

Muitas vezes, ouvimos que “criança só quer brincar”, como se isso fosse pouco. Mas quem convive de verdade com a infância sabe que é ali, no jogo espontâneo e no faz de conta, que acontecem as maiores descobertas. Brincar é como a criança se expressa, como entende o mundo, como experimenta sentimentos e relações. É no brincar que ela testa hipóteses, negocia com os colegas, cuida dos amigos e aprende a lidar com frustrações.

Por isso, quando falamos sobre a importância do brincar, não estamos nos referindo apenas à recreação ou à hora do parque. Estamos falando de um direito, garantido por lei, e de um campo potente de desenvolvimento humano. Em tempos de pressa e produtividade, precisamos lembrar que a infância tem um tempo próprio, feito de repetições, de curiosidade e de encantamento.

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Na escola, nosso papel é garantir que o brincar esteja presente todos os dias, de forma livre, criativa e com espaço para a invenção. É claro que também planejamos propostas e ambientes, mas sempre com o cuidado de preservar a autonomia da criança para escolher, imaginar, explorar. Isso é essencial para que ela se sinta autora do que vive e exerça seu protagonismo infantil.

Brincar é a linguagem da infância. E se quisermos escutar as crianças de verdade, precisamos valorizar essa linguagem. Isso significa renunciar a agendas apertadas, de rotinas engessadas e de uma expectativa precoce por resultados. Uma criança que brinca é uma criança que pensa, sente, cria e se fortalece.

Neste Dia Mundial do Brincar, o convite é simples: escute o barulho do faz de conta, observe o silêncio concentrado diante de uma casinha de massinha. Ali mora a infância e, com ela, tudo o que precisamos para educar com sentido.

Naime Camelo Barbar Serpa é pedagoga e psicopedagoga com mais de 30 anos de experiência na educação infantil e, atualmente, coordenadora pedagógica da educação infantil no Colégio Marista de Goiânia.

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