Um grande cardume formado principalmente por curimatas, matrinxãs e piaus-cabeça-gorda cercou uma embarcação no Rio Araguaia, no trecho próximo à ponta da Ilha do Bananal, e chamou a atenção de turistas durante uma pescaria na região de Luiz Alves, distrito de São Miguel do Araguaia (GO). As imagens do episódio foram divulgadas pelo guia e pescador ribeirinho João Neto, de 55 anos, conhecido nas redes sociais como João Neto do Araguaia.
Segundo o guia, o aglomerado de peixes chegou a se estender por cerca de 200 metros, embora estivesse distribuído em diferentes pontos do rio a aproximadamente 60 quilômetros de Luiz Alves. Além das espécies citadas, o grupo incluía cacharas (também chamadas de pintados em outras regiões) e outras espécies típicas do Araguaia.
João Neto relatou que conduzia turistas de Minas Gerais em uma pescaria de piraíbas e pirararas quando se deparou com o fenômeno. Ele afirmou que, apesar do impacto visual para quem não conhece o rio, cenas como essa são relativamente comuns no Araguaia neste período do ano, quando os peixes iniciam a subida pelo curso d’água.
O guia explicou que os cardumes costumam passar por localidades como Luiz Alves, Bandeirantes e Cocalinho, podendo alcançar até Aruana, dependendo das condições climáticas e do nível das águas.
Especialistas relacionam fenômeno ao “estouro do boto”
O biólogo Edson Abrão explicou que o chamado “estouro do boto” ocorre sobretudo durante a estação seca, quando o nível dos rios cai e os peixes se concentram em áreas menores. Nessa situação, os botos adotam comportamentos coordenados para encurralar os cardumes, facilitando a captura.
Abrão observou que o fenômeno costuma ser registrado entre julho e setembro, mas já tem aparecido em junho em algumas localidades onde o período seco começou mais cedo. Além do papel na alimentação, a disponibilidade de peixes é fundamental para a reprodução dos botos: as fêmeas precisam acumular reservas energéticas para uma gestação que varia entre 10 e 13 meses e para o cuidado dos filhotes, que pode durar até cinco anos.
O biólogo também alertou para a redução da população de botos nas últimas décadas, ressaltando a importância de monitoramento e de medidas de conservação na região do Araguaia.
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