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Brasileiro compra menos celulares, mas gasta mais em modelos premium

Volume de vendas cai para menor patamar desde 2012, enquanto receita do setor bate recorde e Apple domina quase metade do faturamento global
Brasileiro compra menos celulares, mas gasta mais em modelos premium. foto: Reprodução/O Hoje

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O mercado de smartphones no Brasil vive um paradoxo: o brasileiro está comprando menos aparelhos, mas gastando mais por unidade. Em 2026, o país deve fechar com 31,6 milhões de smartphones vendidos, segundo projeção da consultoria IDC — volume inferior aos 31,9 milhões registrados em 2025 e o menor patamar desde 2012.

Apesar da queda no número de vendas, a receita do setor segue em trajetória oposta. No segundo trimestre de 2026, a receita global do mercado de smartphones subiu 7%, alcançando US$ 109 bilhões — valor recorde que equivale a aproximadamente R$ 555 bilhões pela cotação atual. A Apple respondeu sozinha por 49% desse faturamento global, consolidando sua liderança no segmento premium.

Premiumização impulsiona receita

O fenômeno da “premiumização” explica a dinâmica: enquanto o volume de vendas recua, o preço médio dos aparelhos sobe. Dados do mercado apontam que as vendas de smartphones acima de US$ 500 saltaram 20% no acumulado do ano, ao passo que o segmento de entrada — aparelhos de até US$ 300 — enfrenta retração.

No Brasil, a estratégia das fabricantes tem sido clara: menos foco em modelos básicos e mais investimento em dispositivos com maior valor agregado. A Samsung mantém a liderança de mercado, enquanto a Xiaomi registra crescimento expressivo, especialmente entre consumidores que buscam custo-benefício em modelos intermediários e topo de linha.

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Entre os modelos mais procurados em 2026 figuram o Samsung Galaxy S24, o Galaxy A56 — representante da faixa intermediária — e o iPhone 16, da Apple.

Preço alto e crédito caro freiam trocas

A principal razão para a queda no volume de vendas é o aumento consistente dos preços. Modelos premium ultrapassam facilmente a barreira dos R$ 10 mil, e mesmo os intermediários sofreram reajustes significativos nos últimos dois anos.

O encarecimento do crédito também pesa na decisão do consumidor. Com juros elevados — que podem chegar a 15% ao ano em algumas linhas de financiamento — e o dólar em patamar alto, parcelar ou financiar um smartphone tornou-se uma opção menos atrativa para as famílias brasileiras.

Além disso, a percepção de que trocar de modelo todo ano traz pouco benefício real tem levado o consumidor a estender o ciclo de uso do aparelho. Muitos preferem consertar o dispositivo atual ou migrar para seminovos premium, em vez de adquirir um novo aparelho de entrada.

Brasileiro troca de celular com menos frequência

Uma pesquisa realizada em 2025 revelou que apenas 7% dos brasileiros trocam de smartphone a cada lançamento. A maioria dos consumidores mantém o mesmo aparelho por dois anos ou mais: 30% trocam a cada três anos, 27% a cada dois anos, 19% a cada quatro anos e 16% ficam cinco anos ou mais com o mesmo dispositivo.

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Quando finalmente decidem pela troca, o critério de escolha prioriza durabilidade e performance. Segundo levantamento sobre o perfil de consumo, 31% dos brasileiros valorizam a capacidade de processamento, 25% dão importância à memória e 16% focam na qualidade da câmera. Apenas 3% citam recursos de inteligência artificial como fator decisivo na hora da compra.

Perspectivas para o setor

A IDC projeta que as vendas de smartphones no Brasil devem continuar em queda até 2029, consolidando um mercado menor em volume, mas com maior valor por unidade. Para as fabricantes, o desafio é equilibrar a oferta de modelos acessíveis com a demanda crescente por dispositivos premium que justifiquem o investimento do consumidor.

Enquanto isso, o brasileiro segue adiando a troca do celular, mas, quando decide comprar, mira em aparelhos que ofereçam performance, durabilidade e recursos que valham o preço mais alto.

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