Os casos de dengue em Goiás começaram a crescer nas duas primeiras semanas de 2026, com maior concentração na região Centro-Sul do estado. Entre a última semana epidemiológica de 2025 e a primeira de 2026, as notificações saltaram de 1,6 mil para 2,7 mil, um aumento de 65,9%. Ao todo, o estado já soma 5,5 mil casos nessas semanas, número semelhante aos 5,6 mil do mesmo período em 2025, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). O InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), prevê incidência cumulativa similar à de 2025, mas superior à média de 2019-2023. Oito municípios estão em emergência, e 12 óbitos seguem em investigação, metade em Goiânia.
A subsecretária de Vigilância em Saúde de Goiás, Flúvia Amorim, explica que o aumento entre janeiro e abril é esperado, sem explosão de casos até agora. “Municípios vizinhos apresentam registros simultâneos, formando aglomerados”, diz. Exemplo é Caldas Novas (Sul), com alta recente, assim como Piracanjuba e Corumbaíba. A SES-GO apoia com controle de vetores em bairros prioritários, orientações a profissionais de saúde, bombas costais e fumacê, via regionais.
Além das oito cidades em emergência (a maioria no Sudoeste e Sudeste), 128 estão em alerta, incluindo Caldas Novas, que decretou calamidade em saúde pública devido ao avanço de dengue e chikungunya. O secretário municipal de Saúde, Wiris Marcos Arantes, atribui o cenário a altas temperaturas, chuvas e falta de conscientização: “98% dos focos estão nos quintais dos moradores”. Dos mil casos de chikungunya notificados em Goiás, quase 900 são de Caldas Novas, graças à imunidade populacional contra dengue, que freia seu avanço, mas favorece o vírus da chikungunya – ambos transmitidos pelo Aedes aegypti. Ações intensas ocorrem em Parque Real, Santa Efigênia, Nova Vila e Jardim Privé, com 25 mil imóveis visitados no início do ano. Agente de endemias Alessandra de Oliveira Conceição encontrou focos em dez casas no Santa Efigênia na quarta-feira (28), em vasilhas d’água, pneus e vasos.
Moradora de 66 anos, Nilda Maria da Glória relata o drama: sua neta Anna Clara Lourenço da Silva, 16, teve sintomas de dengue no início do ano – dor nas juntas, sob os olhos e na cabeça –, melhorando com hidratação. “Cuidamos do quintal, mas vizinhos abandonam casas”, desabafa.
Goiânia intensifica ações na noroeste e sudoeste
Na capital, cerca de 900 notificações foram registradas, com foco na noroeste e sudoeste, segundo o superintendente de Vigilância em Saúde, Flávio Toledo. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) formou força-tarefa para mais 600-700 registros no sistema do Ministério da Saúde e instalou 900 armadilhas com larvicidas em Campinas e Centro, em parceria com UFG e Fiocruz. “Os mosquitos sujam as patas e disseminam o larvicida em poças”, explica. Toledo reforça: “Precisamos do engajamento popular contra focos em lotes e lixo”.
Baixa adesão à segunda dose da vacina preocupa
A segunda dose da vacina contra dengue tem adesão baixa, essencial para proteção eficaz, alerta Flúvia Amorim. Na faixa de 4 a 59 anos, foram 749 mil doses: 506,3 mil primeiras e 242,6 mil segundas; 221,3 mil (47,71%) atrasadas. De 6 a 16 anos (faixa atual), 696,9 mil doses: 473,3 mil primeiras e 223,6 mil segundas; 207,4 mil (48,12%) pendentes. A ampliação para 4-59 anos ocorreu em abril de 2024 para evitar vencimento de lotes.
‘Dia D’ contra febre amarela neste sábado
Outra arbovirose do Aedes aegypti, a febre amarela teve zero casos humanos em 2025 (último em 2017), mas 38 óbitos em primatas: Abadia de Goiás (3), Goiânia (14), Guapó (2), Hidrolândia (2), Firminópolis (2), Aparecida de Goiânia (11), Bela Vista de Goiás (1), Inhumas (1), Silvânia (1) e Itaberaí (1). Neste sábado (31), ‘Dia D’ de vacinação foca Região Metropolitana de Goiânia e áreas com circulação viral, em parceria SES-GO e SMS. Abertura às 9h no Ciams Novo Horizonte, com Éder Gatti (PNI/MS). Cobertura nacional: 74,20%; em Goiás, 74,19%. Calendário: dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos para crianças; dose única para 5-59 anos sem esquema.

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