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Política

De Casa de Fundição a prédio de 44 mil m²: conheça as sete sedes

Fachada do Palácio Maguito Vilela, atual sede da Assembleia Legislativa de Goiás (Foto: Carlos Costa/Alego)

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Em quase dois séculos, a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) mudou de endereço seis vezes até chegar à atual sede, o Palácio Maguito Vilela, no Park Lozandes, em Goiânia.

Com uma história marcada pela ocupação de diferentes lugares, o Legislativo goiano teve como primeira sede um edifício colonial e hoje funciona em um moderno complexo arquitetônico.

A trajetória do Parlamento começa no período imperial, junto com a primeira reforma constitucional brasileira. Em 1832 foram criadas as Assembleias Legislativas Provinciais, estruturas que substituíram o que era conhecido como Conselhos Gerais das províncias.

Esse Poder, porém, só chegou a Goiás três anos depois de ter sido oficialmente instituído, ou seja, em 1835. Naquele ano, a primeira primeira Assembleia foi fixada na antiga capital de Goiás, Vila Boa, hoje cidade de Goiás. Desde então, sete prédios já serviram como casa para o Legislativo.

A sétima e atual sede é um dos espaços mais modernos da administração pública goiana. Inaugurado em 2022, o Palácio Maguito Vilela foi projetado para ampliar a capacidade de funcionamento da Alego, oferecendo melhores condições de trabalho e atendimento ao público.

Fachada do Palácio Maguito Vilela, atual sede da Assembleia Legislativa de Goiás (Foto: Carlos Costa/Alego)

Com aproximadamente 44 mil m² de área construída, o prédio é quase cinco vezes maior que a antiga sede, a sexta. São quatro pavimentos e dois subsolos, distribuídos em uma estrutura que reúne plenário, gabinetes, salas de comissões, auditórios e áreas de atendimento ao cidadão.

A atual galeria do plenário conta, por exemplo, com capacidade para mais de 200 pessoas sentadas, permitindo que um grande público acompanhe presencialmente as votações da Casa.

A estrutura também conta com 50 gabinetes, cada um com aproximadamente 100 m², além de salas exclusivas para as Comissões e dois miniplenários. O auditório principal da Casa tem capacidade para 600 pessoas e conta com cinco salas adicionais de reuniões.

Plenário Iris Rezende Machado, principal espaço da atual sede da Assembleia Legislativa (Foto: Maykon Cardoso/Alego)

Além disso, o Palácio também abriga áreas destinadas à realização de cursos, restaurante, lanchonetes e estrutura voltada ao atendimento de saúde. Os principais espaços da Casa levam o nome de diferentes personalidades. Clique aqui e conheça a história de cada um delas.

Outro avanço está do lado de fora. O amplo estacionamento solucionou um dos pontos mais críticos da antiga sede, que enfrentava dificuldades pela falta de vagas para servidores e visitantes. Hoje, a estrutura conta com quase mil vagas.

Mas nem sempre foi assim. Antes de chegar ao Palácio Maguito Vilela, a Assembleia passou por edifícios que foram construídos especificamente para funções públicas e outros que precisaram ser adaptados às pressas para receber os parlamentares de maneira provisória.

Do ouro à lei

A primeira sede da Assembleia foi instalada em 1º de junho de 1835, na antiga Casa de Fundição, em Vila Boa, hoje cidade de Goiás. O prédio, entretanto, havia sido construído muito antes de os primeiros deputados ocuparem o lugar.

Erguida pela Coroa Portuguesa em 1752, a Casa de Fundição tinha uma finalidade essencialmente econômica. Era ali que o ouro extraído das minas da região era fundido, transformado em barras, marcado e tributado.

Com o declínio da atividade mineradora e a reorganização política do Império brasileiro, o edifício ganhou uma nova função. Em 1835, seus amplos espaços foram adaptados para receber os 20 deputados que formaram a primeira legislatura goiana.

Prédio em que funcionou o Poder Legislativo goiano no Império (Foto: Arquivo)

Os salões, que anteriormente estavam associados à atividade mineradora e fundição do ouro, receberam mesas, bancadas e materiais necessários ao funcionamento do Parlamento.

Foi assim que a estrutura econômica da antiga colônia começou a se transformar, na prática, no modelo institucional que hoje conhecemos como Poder Legislativo. O lugar, porém, não resistiu ao tempo.

Em 1921, o edifício foi atingido por um incêndio. O episódio reduziu a pó grande parte da estrutura, deixando poucos vestígios do lugar que testemunhou o nascimento do Poder Legislativo goiano.

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Um novo momento, um novo local

Com a Proclamação da República, em 1889, o Brasil passou por uma profunda reorganização. Em 1891, as antigas Assembleias Provinciais deram lugar às Assembleias Legislativas estaduais.

Em Goiás, esse novo período veio acompanhado de uma mudança de endereço. A Assembleia deixou a antiga Casa de Fundição e passou a funcionar em um casarão localizado na Rua da Abadia, atual Rua Eugênio Jardim, em frente à Igreja de Nossa Senhora d’Abadia, na cidade de Goiás.

Prédio em que o Legislativo funcionou na Primeira República (Foto: Arquivo)

A construção apresentava elementos comuns às edificações tradicionais da antiga capital, como paredes espessas, estruturas de madeira, portas e janelas amplas e ambientes internos de pé-direito elevado.

O casarão foi palco de onze legislaturas, atravessando praticamente toda a Primeira República. A estrutura, originalmente residencial, passou por adaptações ao longo deste período.

Os ambientes da Casa passaram a abrigar, por exemplo, as mesas dos deputados e da direção dos trabalhos, além de espaços destinados ao acompanhamento das sessões por parte da população.

A transferência da capital para Goiânia, em 1937, encerrou a permanência da Assembleia naquele endereço. O casarão, contudo, continuou a desempenhar funções públicas e chegou a abrigar a Câmara de Vereadores da cidade de Goiás. Atualmente, uma escola da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) funciona no local.

Rumo à metrópole

Já na nova capital, o primeiro endereço da Assembleia foi em um prédio localizado na Av. Tocantins, na esquina com a Rua 12, no Centro. A mudança ocorreu quando Goiânia ainda era uma cidade em construção. As obras seguiam um estilo que começava a marcar a nova capital, com influência do movimento Art Déco.

O imóvel tinha aspecto de sobrado. O espaço era dividido entre ambientes de recepção e serviços no térreo, além de áreas destinadas às atividades parlamentares no pavimento superior. A passagem pelo endereço, porém, foi extremamente curta.

Casa em que funcionou o Poder Legislativo em Goiânia, na época da mudança da capital, em 1937 (Foto: Arquivo)

Ao todo, os deputados realizaram apenas 26 sessões no local. Em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas implantou o Estado Novo. No novo regime, o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais foram dissolvidos. Com isso, o Parlamento, que mal havia se instalado em Goiânia, teve suas atividades interrompidas.

Apesar do curto período em funcionamento, o prédio teve sua história marcada por um evento simbólico. Foi nele que Pedro Ludovico Teixeira assinou o decreto definitivo de transferência da capital de Goiás para Goiânia. O imóvel permanece de pé no centro da cidade e, atualmente, é utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Curta estadia

Foram quase dez anos sem o funcionamento das Assembleias. O cenário só começou a mudar com a redemocratização e, consequentemente, a retomada das instituições. Mas a reconstrução do Parlamento goiano foi retomada de maneira improvisada.

Quando as atividades foram retomadas, em março de 1947, a Assembleia precisava de um local para funcionar. A solução encontrada foi instalar provisoriamente a instituição no segundo andar do então Museu Histórico, na Praça Cívica, prédio que atualmente abriga o Museu Zoroastro Artiaga.

Foi nesse endereço que a Assembleia reabriu oficialmente suas portas, o que ocorreu em 22 de março daquele ano. A passagem pela quarta sede, entretanto, foi a mais breve de toda a história. Ali, a Alego funcionou por menos de 30 dias.

Assembleia Legislativa funcionou no prédio que hoje abriga o Museu Zoroastro Artiaga após o fim do Estado Novo (Foto: Arquivo)

O motivo estava justamente nas características físicas do edifício. Embora fosse uma das construções mais marcantes da Praça Cívica, o prédio não havia sido projetado para funcionar como sede de um Parlamento.

Construído entre 1942 e 1943, o edifício apresenta características marcantes do Art Déco que moldou a arquitetura de Goiânia. O projeto é atribuído ao arquiteto polonês Kazimierz Bartoszewski. A construção chama atenção pela simetria, pelas formas geométricas, pelos cantos arredondados e pelas grandes aberturas.

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O espaço, porém, não era suficiente para atender as necessidades da Assembleia. Não havia, por exemplo, um plenário projetado para a atividade parlamentar, galerias adequadas para o público, gabinetes para deputados ou salas destinadas às comissões. O edifício era, portanto, incompatível com o funcionamento da Assembleia. A solução foi mudar de endereço novamente.

Atualmente, o prédio continua preservado na Praça Cívica e abriga o Museu Zoroastro Artiaga, integrando o patrimônio histórico e arquitetônico de Goiânia.

15 anos em medida provisória

Em abril de 1947, poucos dias depois de deixar o Museu Histórico, a Assembleia encontrou um novo endereço. A Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura cedeu o terceiro andar do Palácio da Pecuária, na Avenida Goiás, quase em frente ao Grande Hotel, no Centro de Goiânia. O edifício, de seis andares, também seguia a estética Art Déco que caracterizava a Goiânia dos anos 1940.

O que deveria ser uma solução temporária, se transformou em 15 anos de permanência. O terceiro andar do Palácio, concentrou as atividades da Alego entre 1947 e 1962. Plenário, espaços administrativos e as demais estruturas necessárias ao funcionamento da Casa, porém, precisaram conviver em uma área limitada.

Predio que abrigou provisoariamente a estrutura do Poder Legislativo por 15 anos (Foto: Arquivo) *imagem restaurada com o uso de inteligência artificial

Em um ambiente marcado por intensos debates, os 32 parlamentares daquela época participaram da elaboração e promulgação da nova Constituição Estadual de Goiás. O prédio também testemunhou a retomada da vida democrática depois de um longo período de fechamento.

Com o crescimento da nova capital e a ampliação das atividades da Casa, o espaço se tornou inadequado. Uma nova solução para o conhecido problema veio em 1962, quando a Assembleia finalmente ganhou uma sede própria.

O Palácio da Pecuária, que posteriormente também recebeu outras instituições, como a Câmara Municipal de Goiânia, por exemplo, não resistiu ao tempo. O prédio foi demolido na década de 1980.

Um lugar para chamar de seu

Em 1962, a Assembleia Legislativa chegou ao endereço que se tornou, até hoje, o mais duradouro de sua história. O antigo Palácio dos Buritis, posteriormente denominado Palácio Alfredo Nasser, foi construído na Alameda dos Buritis, em uma área integrada ao Bosque dos Buritis, no Setor Oeste.

O projeto do edifício próprio foi assinado pelo arquiteto Eurico Calixto de Godoi, com colaboração de Elder Rocha Lima, e seguia os princípios da arquitetura moderna. A construção estabelecia uma relação direta entre o edifício e a paisagem do bosque, aproveitando a área verde e a proximidade do lago.

Fachada da sexta sede da Alego, no Setor Oeste, em Goiânia (Foto: Sérgio Rocha/Alego)

O complexo ocupa um terreno de aproximadamente 12,5 mil m², com mais de 8,3 mil m² de área construída. A arquitetura rompeu com a aparência dos casarões. Em vez de paredes pesadas e fachadas alinhadas à rua, o novo edifício apresentava uma visão arquitetônica mais aberta e integrada.

Durante seis décadas, o Palácio Alfredo Nasser acompanhou as principais transformações da sociedade e da política. No entanto, com o passar dos anos o prédio também passou a enfrentar limitações em função de uma estrutura concebida para uma Assembleia menor.

Não apenas o número de servidores cresceu, como as atividades parlamentares se multiplicaram. Com novas demandas atribuídas às diferentes comissões da Casa, a população passou a buscar cada vez mais o Parlamento.

Plenário Getulino Artiaga do Palácio Alfredo Nasser localizado no Setor Oeste, em Goiânia (Foto: Maykon Cardoso/Alego)

Depois de 60 anos, o Legislativo passou por uma nova transferência. Após a conclusão das obras e a migração para o Palácio Maguito Vilela, em 2022, o Palácio Alfredo Nasser foi reformado para receber o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO).

Agora, os deputados concentram suas atividades em um Palácio maior, mais complexo e próximo da população. Os espaços do prédio que leva o nome de Maguito Vilela foram projetados não apenas para acomodar deputados e servidores, mas também para receber o cidadão que procura a Assembleia em busca de representatividade, escuta ou serviço.

Palácio Maguito Vilela, localizado no Park Lozandes, em Goiânia (Foto: Sérgio Rocha/Alego)

A construção do atual prédio levou 17 anos e demandou um investimento de aproximadamente R$ 126 milhões, convertidos, hoje, em maior conforto, respeito e pronto atendimento ao povo goiano.

Fonte: Assembleia Legislativa de GO

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