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opinião

Entre balanços e recomeços: como lidar com as emoções de dezembro e planejar um 2026 mais saudável

Médico psiquiatra aponta que planejamento equilibrado e metas realistas ajudam a fortalecer a saúde mental
Dr. Thiago Ribeiro de Souza, médico Clínico Geral pós-graduado em psiquiatria. Foto: Divulgação

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Marcado pelos encontros familiares, a cobrança de ‘fechar o ano bem’ e a expectativa pelo ano novo que se aproxima, o mês de dezembro desperta muitas emoções e sentimentos. É quando o calendário nos obriga a olhar para trás, fazer sala para os parentes, encerrar ciclos e a estabelecer novos planos e metas pessoais. Situações que tornam o período mais sensível e, para muitas pessoas, intensifica a ansiedade, a nostalgia e até a tristeza.

Para a dona de casa Luana Ribeiro, de 37 anos, dezembro se tornou um mês de reencontros internos. Ela conta que revive as lembranças da mãe, que faleceu há 3 anos. “A família toda se reunia na casa da minha mãe para a ceia de Natal, o amigo secreto e todo mundo ajudava a preparar o jantar. Depois que ela se foi, cada um decidiu fazer o próprio Natal em casa. É como se tudo viesse de uma só vez, uma saudade disso tudo que fazíamos”, relata.

O médico psiquiatra, Dr. Thiago Ribeiro de Souza, afirma que esse sentimento tem explicação clínica e social. “Nesse mês, o cérebro tende a ativar processos de retrospectiva, avaliando o que foi vivido, o que foi perdido e o que não foi alcançado, o que naturalmente intensifica nostalgia e melancolia. Além disso, o final do ano costuma trazer à tona a memória de pessoas que já se foram, o que intensifica o luto, mesmo quando ele é antigo”, detalha.

Souza alerta ainda para a diferença entre a reflexão saudável no fim de ano e o sofrimento psicológico. “O encerramento de um ciclo costuma despertar a sensação de balanço pessoal, o que pode ser positivo quando feito com equilíbrio, mas prejudicial quando acompanhado de cobranças excessivas. A pressão interna ou social para finalizar o ano com sucesso pode gerar estresse, autocrítica intensa e aumento da ansiedade”, diz o médico.

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“Quando essa cobrança ultrapassa o limite saudável, o indivíduo começa a apresentar sinais como irritabilidade persistente, fadiga desproporcional, insônia, pensamentos recorrentes de fracasso, dificuldade de concentração, sensação de estar ‘no limite’ e perda do prazer em atividades que antes eram satisfatórias. Esses sintomas indicam que o processo deixou de ser reflexivo e passou a ser um gatilho de sofrimento psicológico”, completa.

O estudante Joel Batista, de 23 anos, conta que, para lidar com todos os pensamentos e emoções do fim de ano, aprendeu a anotar os compromissos e, principalmente, escrever os planos e as metas para o próximo ano. “Às vezes tenho a sensação que o ano passou por cima de mim, tudo está passando muito rápido. Então, eu tiro alguns minutos do dia para anotar tudo que preciso fazer e o que quero fazer também, isso me ajuda”, compartilha.

Segundo o psiquiatra, Dr. Thiago, planejar reduz a ansiedade, sendo essencial se atentar a própria realidade. “O planejamento pode ser um recurso valioso para a saúde mental quando usado de forma equilibrada. Ele oferece ao cérebro um senso de direção e previsibilidade, reduzindo ansiedade. Outro ponto fundamental é evitar comparações sociais, especialmente nas redes, que distorcem a percepção da realidade emocional dos outros”, ressalta.

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Planos para 2026

Sobre os planos para 2026, o médico recomenda estabelecer metas específicas e realistas, evitando objetivos amplos ou baseados em comparações sociais. “É importante dividir grandes objetivos em etapas menores e possíveis, permitindo conquistas progressivas. Também oriento meus pacientes a incluírem metas relacionadas ao bem-estar, e não apenas produtividade, evitando expectativas rígidas que geram frustração caso não sejam cumpridas”, afirma.

Souza destaca ainda a importância de incluir o cuidado com a saúde mental no planejamento do próximo ano. “Quando o indivíduo prioriza hábitos de autocuidado, como psicoterapia regular, prática de atividade física, alimentação adequada, momentos de lazer, limites saudáveis no trabalho e sono de qualidade, há maior estabilidade emocional ao longo do ano. Práticas simples e eficazes incluem reservar períodos semanais para descanso, criar rituais de bem-estar, reduzir o consumo de conteúdos estressantes, praticar mindfulness e manter um acompanhamento profissional quando necessário. Essas ações funcionam como medidas preventivas e fortalecem a resiliência emocional”, finaliza.

Dr. Thiago Ribeiro de Souza, é médico Clínico Geral pós-graduado em psiquiatria

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