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Goianésia: Vítima diz que pagou boletos de carro emitidos por golpistas

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A manicura Luciene Francisca dos Santos, vítima do grupo que praticava ao oferecer redução dos valores das parcelas de veículos financiados, disse que a quadrilha deu um carnê para ela pagar no lugar dos boletos do carro em Goianésia, no Vale do São Patrício. Conforme a mulher, os homens disseram que o dinheiro era pago para eles, que negociariam com o banco a redução de juros do financiamento.

Ela conta que descobriu que se tratava de um golpe quando já havia pagado parte das parcelas, ao ver a foto de dois dos suspeitos circulando na internet. “Eles falavam que quitavam o carro da gente, que a gente pagava para eles, eles pagavam pro banco e quitavam o carro. Eu vi que tava errado quando vi eles na internet. Quando eu vi a foto deles eu reconheci, porque eles tinham vindo aqui em casa. Eu fiquei louca”, contou.

Luciene é uma das 250 vítimas do grupo já identificadas em Goianésia. Ela conta que já havia pago nove parcelas de R$ 595,00 quando recebeu a proposta de redução do financiamento. Após o golpe, a mulher teve que vender o carro para quitar o boleto do financiamento que ela havia deixado de pagar.

A Polícia Civil suspeita que a quadrilha tenha feito pelo menos 14 mil vítimas em todo o país. O idoso Juverci Francisco de Moraes, de 65 anos, foi detido por contribuir com a organização criminosa captando clientes. Ele pagou fiança de R$ 8 mil e foi liberado.

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De acordo com a corporação, um falso advogado foi preso em flagrante na última semana. Segundo o delegado Murilo Leal Freire, responsável pelas investigações, Francisco dos Santos Júnior, de 32 anos, se passava por advogado e fingia pedir a revisão dos processos. Ele afirma que o grupo era liderado por um advogado, que já teve o registro suspenso na OAB-GO.

“Cada um com a sua tarefa. Existia uma pessoa que captava os clientes, que era conhecido na região, entregava panfletos, gerava confiança na população. Tem muita gente solta. Inclusive tem advogado que já está com a OAB suspensa no meio da organização”, contou o advogado.

 

Golpe
O delegado Murillo Leal Freire afirma que o grupo agia há pouco mais de um ano. Por meio de um escritório, eles anunciavam que conseguiam baixar o valor pago mensalmente pelos donos dos carros através de uma ação revisional. No entanto, tudo não passava de uma forma de ganhar o dinheiro dos clientes.

“A promessa era de que, ao contratar os serviços, o valor da parcela cairia pela metade. Um novo boleto era emitido e os valores pagos à quadrilha. O cliente quitava achando que seria a mensalidade do financiamento já reduzida, mas, na verdade, não ocorria a negociação com o banco e o grupo ficava com o valor”, disse.

O golpe foi descoberto no último dia 9 de março, quando uma vítima procurou a delegacia. Após contratar o serviço da empresa, ele disse que teve o veículo apreendido em uma ação do banco mesmo arcando com todos os valores em dia.

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O delegado disse que não pode revelar o nome do advogado suspeito de liderar o grupo para não atrapalhar as investigações.

 

Advogado suspenso

De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), o advogado está suspenso de suas atividades desde 2013 por ter cometido “faltas éticas”. Ao todo, conforme o ouvidor-geral do órgão, Eduardo Scartezinni, são oito ocorrências, sendo a maioria delas ligadas a atuação com revisional de veículos.

Na última segunda-feira (27), Scartezinni se reuniu com o delegado na sede da OAB-GO para falar sobre o caso. “Com os novos relatos que ele nos passou, será montado um novo procedimento contra ele que pode, dependendo da situação, causar até mesmo a exclusão dele nos nossos quadros”, disse.

O ouvidor explicou ainda que a operação realizada pela polícia é salutar para que outras pessoas não sejam enganadas. “O delegado recebeu uma reclamação, foi atrás e descobriu um esquema que muitas vezes é ignorado. Isso é importante para que as pessoas, quando forem realizar uma negociação desse tipo, contratem um advogado, pois o mercado tem muitas pessoas mal intencionadas”, destaca.

A polícia informou que a empresa tem outras unidades espalhadas por Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais. A suspeita é que todo o grupo já tenha enganado pelo menos 14 mil pessoas, faturando cerca de R$ 7 milhões mensais.

 

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