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Golpes digitais disparam e estelionato bate 2,26 milhões de registros em 2025

O número representa um aumento de 429,8% em relação a 2018, início da série histórica, e confirma uma tendência de crescimento constante nos últimos anos.
Golpes digitais disparam e estelionato bate 2,26 milhões de registros em 2025. Foto: Lim Weixiang/Zeitgeist Photos/Getty Images

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O estelionato alcançou nível recorde no Brasil em 2025, com 2.261.055 casos notificados, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O número representa um aumento de 429,8% em relação a 2018, início da série histórica, e confirma uma tendência de crescimento constante nos últimos anos.

A escalada foi gradual, mas persistente: em 2019 foram 523.820 ocorrências; em 2020 o total quase dobrou para 927.898; e, em 2021, os registros ultrapassaram 1,3 milhão (1.312.964). Em 2022 houve novo salto para 1.816.438 casos, seguido por 2.000.960 em 2023 e 2.193.122 em 2024, até chegar ao patamar atual.

Especialistas ouvidos pelo Anuário apontam a digitalização dos serviços financeiros como fator central para a expansão dos golpes. A popularização do internet banking, o uso massivo do Pix e o amplo acesso a dados pessoais facilitaram a ação de fraudadores, que têm recorrido cada vez mais a esquemas online.

Concentração regional e baixa judicialização

São Paulo liderou a taxa de estelionato em 2025, com 1.808,3 ocorrências por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Distrito Federal (1.717,0), Paraná (1.339,1), Rondônia (1.329,6), Santa Catarina (1.294,8), Espírito Santo (1.254,7) e Goiás (1.075,6).

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Apesar do grande volume de boletins, a resposta do sistema de justiça permanece limitada: apenas 63,7 mil boletins deram origem a processos judiciais, e 4,8 mil pessoas foram presas por envolvimento em estelionato no período. Para o Anuário, a baixa responsabilização contribui para a profissionalização do crime, que tem migrado de ações isoladas para organizações estruturadas.

Formas mais comuns e receio entre a população

O relatório também mostra que 83,2% dos brasileiros têm medo de ser vítimas de golpes pela internet ou pelo celular. Entre as portas de entrada preferidas pelos criminosos estão os aparelhos móveis — celulares roubados ou invadidos permitem tentativas de acesso a aplicativos bancários e redes sociais.

Golpes com cartões, páginas falsas, máquinas de pagamento adulteradas e vazamentos de dados continuam frequentes. Há ainda fraudes envolvendo a troca física do cartão para compras não autorizadas. Esquemas via WhatsApp, em que criminosos se passam por conhecidos ou invadem contas para pedir transferências, figuram entre as práticas mais relatadas.

O Pix é explorado em falsas vendas, pedidos de ajuda e pagamentos após acesso indevido a contas. Mensagens sobre supostas irregularidades no CPF e anúncios de lojas ou leilões fictícios também são usados para captar dados ou receber pagamentos sem entrega de produtos.

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Desafios para prevenção e investigação

O Anuário recomenda reforço na integração entre órgãos de segurança, aprimoramento das apurações e maior capacidade de responsabilização dos envolvidos como medidas essenciais para conter o avanço dos golpes. Para autoridades e especialistas, combater o estelionato exige atuação coordenada entre plataformas digitais, instituições financeiras e polícias, além de campanhas de prevenção que orientem a população sobre sinais de fraude.

Enquanto isso, o crescimento dos crimes patrimoniais mostra uma transformação no cenário da segurança pública brasileira, cada vez mais marcada pela presença do meio digital e pela atuação de grupos organizados.

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