O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou em sua conta na rede social X que ordenou a revogação do visto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entrar nos Estados Unidos. Em sua postagem nesta sexta-feira (18/07), Rubio também requisitou a revogação do visto dos familiares de Moraes e de seus “aliados”, embora não tenha especificado quem seriam esses aliados.
Rubio argumentou que “a caça às bruxas política do ministro Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão vasto que não só viola direitos fundamentais dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil e impacta os americanos”. Quando questionado pela BBC News Brasil sobre quem mais, além de Moraes, seria afetado pela sanção, assim como os “aliados” citados, o Departamento de Estado americano afirmou que não tinha mais informações sobre o assunto.
Nesta sexta-feira, a pedido de Moraes, Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal e recebeu medidas restritivas – incluindo a obrigatoriedade de usar tornozeleira eletrônica, a proibição de acessar redes sociais e de se comunicar com “demais réus e investigados” nos inquéritos do STF (incluindo seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro), além de restrições quanto à sua circulação entre 19h e 6h e durante os fins de semana.
Moraes alegou que Jair Bolsonaro estaria agindo intencionalmente de maneira ilícita, junto com Eduardo, para incitar sanções internacionais contra autoridades públicas brasileiras. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mudou-se para os Estados Unidos com o objetivo de pressionar o governo americano a tomar atitudes contra Moraes e o STF, além de buscar apoio para a anistia dos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023.
O STF ainda não se pronunciou sobre as medidas anunciadas por Rubio contra Moraes e a BBC News Brasil também solicitou um posicionamento ao Itamaraty, sem obter resposta até o momento. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, a política de restrição de visto aplicada a Moraes está em conformidade com a Lei de Imigração e Nacionalidade, que permite ao secretário de Estado tornar inadmissível qualquer estrangeiro cuja entrada no país “possa ter consequências adversas potencialmente graves para a política externa”.
Em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro celebrou o anúncio feito por Rubio, agradecendo ao secretário e a Trump. “Eu não posso ver meu pai e agora há uma autoridade brasileira que também não poderá ver seus familiares nos EUA – ou quem sabe até podem perder seus vistos. Esse é o CUSTO MORAES para quem apoia o regime. De garantido, só posso afirmar uma coisa: muito mais está por vir!”, escreveu o deputado, seguido de outra postagem afirmando que “não haverá recuo” por parte dos EUA.
Desde 9 de julho, quando o presidente americano Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre o Brasil, o governo dos EUA tem sido mais crítico em relação ao Judiciário e ao governo brasileiro. Naquela ocasião, Trump mencionou em uma carta publicada em sua rede social uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no sistema judiciário. Bolsonaro é réu por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e danos ao patrimônio da União.
Nesta sexta-feira, a defesa do ex-presidente expressou surpresa e indignação diante da imposição de “medidas cautelares severas”, afirmando que Bolsonaro “até o presente momento sempre cumpriu todas as determinações do Poder Judiciário”. Após a ordem de Moraes, a Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros que julgam o caso do ex-presidente, formou maioria para confirmar as medidas contra Bolsonaro.
Com relação às tarifas impostas pelos EUA, que podem impactar setores brasileiros como a produção de suco de laranja e a aviação, Lula afirmou que buscará o apoio da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pode eventualmente aplicar a Lei de Reciprocidade. Em declaração na quinta-feira (17), Lula defendeu as instituições brasileiras e acusou o governo americano de fazer uma “chantagem inaceitável”. Especialistas consultados pela BBC News Brasil avaliaram que este é o pior momento nas relações entre Brasil e EUA.
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