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SAÚDE

Inverno aumenta preocupação com vírus respiratórios

Para a infectologista Silvia Fonseca, a ideia de que a gripe é uma doença leve ainda prejudica a implementação de medidas de prevenção a essas mortes.
Inverno aumenta preocupação com vírus respiratórios. VACINA (FOTO: TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL)

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Os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) registrados nas primeiras 24 semanas epidemiológicas de 2025 superaram em 30% os notificados no mesmo período do ano anterior. Esse aumento acende um alerta para o inverno, que começou oficialmente nesta sexta-feira (20/6), uma vez que muitos vírus respiratórios tendem a circular mais nessa época, elevando o número de infecções e de casos graves.

De acordo com a infectologista e professora do Instituto de Educação Médica, Silvia Fonseca, “no inverno, as pessoas permanecem mais em ambientes fechados, como casas e escritórios, e utilizam transporte público com as janelas fechadas. Isso provoca uma maior proximidade entre as pessoas, e a maioria das infecções respiratórias é transmitida por gotículas. Quando alguém tosse, fala ou espirra, essas gotículas podem aterrissar próximas ao olho, nariz e boca de outra pessoa, contaminando-a, ou ainda podem cair em superfícies, e a pessoa acaba tocando e levando para o rosto sem perceber.”

Dois fatores adicionais que favorecem esta situação são a irritação das vias respiratórias, provocada pelo frio e pelo ar seco, tornando-as mais suscetíveis a infecções, e uma particularidade do vírus Influenza, responsável pela gripe, que torna sua transmissão e reprodução no corpo humano mais efetiva em temperaturas baixas.

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Dados do Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam um crescimento nas infecções por influenza. Dentre os mais de 103 mil casos graves de síndrome respiratória já registrados este ano, quase 53 mil apresentaram resultado laboratorial positivo para algum vírus. Destes, cerca de 27% foram provocados por tipos de influenza A ou B. Entretanto, entre meados de maio e meados de junho, a incidência de influenza aumentou para mais de 40%.

Nos dados de mortalidade, a influenza se destaca nas duas análises. Metade das quase 3 mil mortes atribuídas à SRAG, após infecção por algum vírus, ocorreu devido à gripe. Essa proporção eleva-se para 74,6% quando se consideram apenas os óbitos diagnosticados positivamente com vírus respiratórios registrados nas últimas quatro semanas.

Para a infectologista Silvia Fonseca, a ideia de que a gripe é uma doença leve ainda prejudica a implementação de medidas de prevenção a essas mortes. “O vírus influenza pode evoluir rapidamente para quadros de insuficiência respiratória, infecções pulmonares e internações prolongadas, especialmente em idosos e pacientes com doenças crônicas. A vacinação anual é a forma mais eficaz de reduzir esse risco”, enfatiza a professora de medicina.

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