Conhecido pelas declarações polêmicas, o senador Jorge Kajuru (sem partido-GO) acabou de se desfiliar do Partido Socialista Brasileiro (PSB), após imbróglio que envolveu até uma carta escrita pelo presidente do partido, Carlos Siqueira, criticando algumas de suas posturas. Alguns caciques discordaram dos posicionamentos do congressista, que defendeu pontos específicos da promessa do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de ampliar a posse e o porte de armas para cidadãos comuns, o que contraria a bandeira socialista. Eleito um dos congressistas mais influentes nas redes sociais em recente pesquisa do Instituto FSB, o também jornalista chegou a declarar que estava pensando se renunciaria ao cargo. Depois da reflexão, decidiu manter-se no Senado. “Em hora nenhuma disse que vou renunciar. Disse que ia refletir porque, naquele momento, eu estava muito chateado e angustiado”, declarou.
“Não voltei atrás. Eu vou permanecer oito anos [no cargo] e a polícia não vai bater na minha casa. Fui eleito pela população de Goiás, a qual terei eterna gratidão”, pontuou Kajuru, que aproveitou o momento para tecer críticas ao ex-governador goiano Marconi Perillo (PSDB), citado em escândalos de corrupção. “Marconi é o pai da corrupção”, disparou o senador.
Governo Bolsonaro
Ao falar sobre o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), o congressista afirmou que o militar da reserva precisa de “uma gestão de comunicação”, avaliando o atual cenário como “péssimo”. Mesmo demonstrando simpatia pelo mandatário da República, segundo ele, o chefe do Executivo precisa de um articulador político, papel desempenhado por Onyx Lorenzoni. Ainda em sua avaliação, além de não ter muita habilidade no assunto, o fato de Lorenzoni ter assumido que recebeu caixa 2 no passado compromete a sua situação. “Ele disse que pediu perdão. Se for assim, que o Lula peça perdão e seja liberado em Curitiba”, comparou.
Para Kajuru, outro erro do governo tem sido a demora do presidente em demitir o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, investigado por supostamente participar de um esquema de “laranjas” do PSL, em Minas Gerais.
“Eu demitiria ele [ministro do Turismo]. Está demorando demais. É uma demissão que ninguém entende a demora. Bolsonaro acertou em alguns ministérios e errou em outros. É só corrigir”, argumentou Kajuru, que vê em todos esses casos o indício de uma mesma falha: acreditar demasiado nas pessoas.
O senador citou ainda o caso de Gustavo Bebianno, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, que foi exonerado após a divulgação de mensagens de voz entre ele e o presidente. “Por ser muito aberto, muito escancarado, Bolsonaro acredita nas pessoas. Infelizmente, dormiu com muitos inimigos. O cara gravando tudo o que você falava e depois mandava para revista imprensa”, lembrou o parlamentar sobre os áudios trocados entre Bebianno e o presidente que ganharam as manchetes depois da demissão do político.
“Usar o cérebro”
Questionado sobre a forte atuação dos filhos do presidente em escolhas do governo, Kajuru disse que os herdeiros de Bolsonaro devem falar apenas quando houver um caso que diga respeito a eles. “A questão ali é, antes de acionar a boca, não ligar o cérebro. Essa frase devia estar 24 horas presente [para os filhos]”, soltou o congressista.
“Eles não são assessores de imprensa do pai. Transformar o Twitter em metralhadora fez o governo ficar parado muito tempo. Muita coisa que tinha de ser feita não foi feita. Agora, Bolsonaro reconheceu isso e parou”, declarou o parlamentar, citando o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), como o mais “esperto” entre os filhos.
Em relação às manifestações feitas pelo clã Bolsonaro nas redes sociais, Kajuru disse que é preciso ter cautela porque “do nada você vira um Olavo [de Carvalho]”. O senador contou que, após as ofensas proferidas pelo escritor e “guru” do governo ao general Villas Bôas, ficou com “nojo” dele. “Se eu vê-lo, cuspo na cara dele. Mas a gente pode se encontrar uma hora”, afirmou. Olavo de Carvalho citou a condição de saúde do general, que é cadeirante, para atacá-lo ao dizer que ele era “apenas um doente preso em uma cadeira”.
Da Redação com Metrópoles










































