Mesmo invisível, o hálito pode carregar sinais importantes sobre a saúde do corpo. Quando há uma alteração persistente, ela costuma ter causas clínicas que estão diretamente associadas com o Mau Hálito como infecções bucais, saburra lingual ou doenças gengivais mas pode indicar ainda problemas que vão além da boca, como algumas doenças metabólicas ou alterações sistêmicas, sendo importante para um diagnóstico precoce. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), mais de 30% da população brasileira convive com mau hálito. Apesar disso, o problema ainda é frequentemente tratado como algo meramente estético ou motivo de piada.
A campanha traz uma mensagem fundamental porque ajuda a conscientizar a população de que o mau hálito não deve ser tratado como uma questão puramente estética, rondada de tantos tabus e capaz de gerar tantos constrangimentos sociais. Essa é uma alteração que pode servir de alerta para questões de saúde geral.
A fala ecoa o tema da Campanha Nacional de Combate ao Mau Hálito 2025, promovida pela ABHA: “Mau hálito constante indica problema de saúde”. A ação acontece entre os dias 22 de setembro – dia Nacional de combate ao Mau Hálito e 25 de outubro em todo o país e tem como missão combater o preconceito, esclarecer dúvidas e estimular o diagnóstico precoce. A proposta é ambiciosa e sensível: fazer com que as pessoas falem sobre halitose com o mesmo cuidado com que tratam qualquer outra questão de saúde.
Quando o cheiro engana
Apesar de comum, o mau hálito ainda é cercado de desinformação. Muitas pessoas vivem com halitose e nem percebem. Outras têm certeza de que sofrem com o problema, mesmo quando exames e relatos de pessoas próximas dizem o contrário. Essa situação, aparentemente contraditória, é chamada por especialistas de “paradoxo da halitose”.
Pode parecer sem sentido uma pessoa que tem mau hálito não sentir nada e quem não tem, jurar que está com hálito ruim. Mas isso tem explicação científica: o olfato humano se adapta rapidamente aos cheiros, o que chamamos de fadiga olfativa. Por isso, quem tem halitose muitas vezes não percebe. Já quem sente gosto amargo ou sensação de boca seca pode achar que tem mau hálito mesmo sem ter. O resultado é um ciclo de insegurança e vergonha que afeta a saúde emocional e o convívio social. O silêncio, muitas vezes, fala mais alto e isola.
O preconceito em torno da halitose pode ter efeitos devastadores. “Já atendemos pacientes que abandonaram cursos, deixaram de ir a entrevistas de emprego ou se afastaram de relacionamentos por acharem que estavam com mau hálito”, conta Sandra. Em alguns casos, a dimensão emocional do problema pode ser tão intensa que exige acompanhamento multidisciplinar, com psicólogos e psiquiatras. “Quando a pessoa não encontra acolhimento ou informação, ela pode desenvolver uma neurose em torno da própria respiração. Isso compromete a autoestima, a vida profissional e os vínculos afetivos.”
A Campanha Nacional de 2025 tem como uma de suas metas principais justamente abrir espaço para um diálogo mais empático sobre o tema, sem tabus nem julgamentos. Esperam transformar o pensamento das pessoas e encorajá-las a falar sobre o problema que as aflige. Também querem estimular a população a saber como avisar, com cuidado e respeito, quem está com alteração de hálito e não percebe.
Informação como ferramenta de cuidado
Uma das estratégias da ABHA é ampliar o acesso à informação confiável e de base científica, de forma acolhedora. A programação da campanha inclui entrevistas em veículos de comunicação, palestras gratuitas em empresas e instituições públicas e privadas e ações educativas nas redes sociais da entidade. Falar abertamente sobre o tema já é um grande passo. Se você trabalha em uma instituição que pode receber uma palestra profissional, isso pode transformar a realidade de muita gente. É uma ação de utilidade pública.
Outro serviço importante oferecido pela ABHA é o SOS Mau Hálito, uma ferramenta anônima e gratuita para alertar pessoas que apresentam alteração no hálito, mas não percebem. Basta acessar o site (www.abha.org.br) e preencher o e-mail da pessoa. Ela receberá uma carta profissional, respeitosa e informativa, incentivando a busca por orientação especializada. Esse serviço é uma forma ética e cuidadosa de ajudar alguém. Afinal, quem está com halitose muitas vezes não sente, e precisa ser alertado para procurar ajuda.
Falar é o primeiro passo
Fundada em 1998 na Bahia, a Associação Brasileira de Halitose completa 27 anos como a principal referência em halitose no país. A organização é uma entidade científica e sem fins lucrativos, que atua promovendo a educação, a pesquisa e o cuidado com a saúde bucal e geral. Entre seus objetivos, estão o combate ao uso indevido de produtos sem registro na ANVISA, atualização na formação dos profissionais da saúde e conscientização da sociedade sobre o papel da halitose como sinal clínico importante.
Em 2025, a campanha nacional promovida pela entidade será realizada de 22 de setembro a 25 de outubro, em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Mau Hálito e ao Dia do Cirurgião-Dentista, respectivamente. A mobilização busca alcançar o maior número de brasileiros com ações educativas, conteúdos informativos e iniciativas voltadas à valorização da saúde e da autoestima. Tratar o mau hálito como um problema de saúde e não como um defeito pessoal é uma mudança de chave que salva relações, oportunidades e a autoestima de quem sofre calado.
A cirurgiã-dentista associada da ABHA, Karyne Magalhães, reforça ainda a boa notícia: ao contrário do que muitos pensam, há tratamento, há solução e há acolhimento.
Dra Karyne Magalhães, cirurgiã dentista, conselheira da ABHA – Associação Brasileira de Halitose
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