O mercado agrícola global atravessa um momento de forte tensão para a safra 2026/27, pressionado pela combinação entre conflitos geopolíticos, custos elevados de produção, instabilidade climática e incertezas sobre a produtividade das principais culturas brasileiras.
A avaliação é do consultor do agronegócio Antonio Prado G. B. Neto, que alerta para um cenário mais desafiador ao produtor rural nos próximos meses, principalmente diante do avanço dos riscos climáticos e da deterioração das margens no campo.
Segundo o analista, o mercado acompanha com atenção os impactos da guerra no Oriente Médio, a valorização do petróleo acima de US$ 100 por barril e a crescente possibilidade de formação do fenômeno El Niño em 2026.
Petróleo acima de US$ 100 pressiona custos do agronegócio
A escalada do petróleo no mercado internacional vem aumentando a pressão sobre toda a cadeia do agronegócio.
Com o barril negociado acima de US$ 100, os custos logísticos, fertilizantes, combustíveis e insumos seguem em alta, elevando as despesas de produção para agricultores brasileiros.
Segundo Antonio Prado, o cenário geopolítico envolvendo conflitos no Oriente Médio continua sendo um dos principais fatores de volatilidade para os mercados agrícolas globais.
Além disso, o dólar abaixo de R$ 5 reduz a remuneração das commodities em moeda nacional, pressionando ainda mais a rentabilidade do produtor.
Soja sobe em Chicago com demanda aquecida
No mercado internacional, a soja voltou a ganhar força na Bolsa de Chicago.
Os contratos futuros da oleaginosa superaram novamente o patamar de US$ 12 por bushel, impulsionados pela alta do óleo de soja, pela demanda internacional aquecida e pelas incertezas geopolíticas.
O Brasil continua sendo um dos principais fornecedores globais da commodity, beneficiado pelo interesse comprador externo, especialmente da China.
Mesmo assim, o câmbio mais fraco limita parte da valorização recebida pelos produtores brasileiros no mercado interno.
Milho sofre pressão com safrinha e clima adverso
Enquanto a soja apresenta recuperação nas bolsas internacionais, o milho segue pressionado no Brasil.
Na B3, os contratos futuros encerraram a semana em queda, refletindo o avanço da safrinha, o dólar mais baixo e as preocupações relacionadas ao clima.
Apesar do aumento de área plantada na segunda safra, a produtividade do milho apresentou deterioração importante nas últimas projeções.
A estimativa de produção recuou de 123,9 milhões para 112,1 milhões de toneladas, indicando forte ajuste no potencial produtivo nacional.
O Goiás aparece entre os estados mais afetados pelo risco de perdas provocadas pela irregularidade climática.
Seca no Centro-Norte e El Niño elevam risco para produção brasileira
As condições climáticas permanecem no centro das atenções do mercado agrícola.
Segundo informações do Rally da Safra, a seca continua predominando em áreas do Centro-Norte do Brasil, enquanto as chuvas permanecem mais concentradas na Região Sul.
Modelos climáticos apontam probabilidade de até 92% para formação de El Niño em 2026, com possibilidade de intensidade forte a muito forte.
Historicamente, o fenômeno climático está associado a perdas relevantes na produção brasileira de grãos devido à irregularidade das chuvas e aos extremos climáticos.
As estimativas indicam que, caso o fenômeno se confirme com maior intensidade, a safra brasileira 2026/27 poderá sofrer redução próxima de 29 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.
Mercado agrícola deve seguir volátil nos próximos meses
O atual cenário reforça a expectativa de elevada volatilidade para os mercados agrícolas ao longo da próxima temporada.
Os agentes do setor acompanham simultaneamente:
- evolução da guerra no Oriente Médio;
- comportamento do petróleo;
- oscilações cambiais;
- desenvolvimento climático no Brasil;
- custos de fertilizantes e logística;
- avanço do plantio na América do Sul.
A combinação desses fatores deverá continuar influenciando diretamente preços, margens e decisões de comercialização dos produtores brasileiros durante a safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio













































