A produção de etanol a partir do milho de segunda safra no Brasil pode se tornar uma alternativa estratégica para o desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF), contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa e minimizando a pressão sobre novas áreas agrícolas.
Expansão do etanol pode ocorrer sem avanço sobre novas áreas
De acordo com estudo publicado na revista Agricultural Economics, a expansão da produção de etanol de milho no Brasil pode ocorrer majoritariamente por meio da intensificação agrícola, sem necessidade significativa de expansão de área.
O trabalho foi conduzido pela Agroicone, em parceria com pesquisadores internacionais, e analisou os impactos da demanda crescente por etanol sobre o uso da terra e as emissões de carbono.
Sistema de dupla safra reduz impacto ambiental
O modelo produtivo brasileiro, baseado na dupla safra — em que o milho é cultivado após a soja na mesma área no mesmo ano agrícola —, é apontado como fator-chave para reduzir a conversão de novas terras.
Segundo o estudo, a mudança no uso da terra pode cair de cerca de 40 mil hectares para aproximadamente 7 mil hectares por bilhão de litros de etanol produzido quando esse sistema é considerado.
Produção de milho cresce com eficiência no Brasil
O milho de segunda safra já representa a maior parte da produção nacional, permitindo aumento expressivo da oferta sem expansão proporcional da área cultivada. Esse modelo contribui para ganhos de produtividade e maior eficiência no uso da terra.
Etanol pode ter emissões muito baixas ou até negativas
A análise indica que o etanol produzido a partir do milho safrinha pode apresentar emissões de gases de efeito estufa muito baixas ou até negativas ao longo do ciclo de vida, dependendo das condições de mercado.
Esse resultado é influenciado por fatores como o uso de áreas já cultivadas, a utilização de energia renovável no processamento e a produção de coprodutos que substituem insumos como o farelo de soja na alimentação animal.
Mercado global influencia resultados ambientais
O estudo destaca que os impactos globais dependem da resposta dos mercados à crescente demanda por etanol. A capacidade do Brasil de ampliar a produção sem comprometer o abastecimento interno e as exportações será determinante para limitar a mudança no uso da terra.
Políticas e intensificação sustentável são essenciais
Os resultados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à intensificação sustentável da produção agrícola, evitando o desmatamento e promovendo ganhos de eficiência.
A incorporação do sistema de dupla safra nos modelos globais também é apontada como essencial para avaliações mais precisas dos impactos ambientais dos biocombustíveis.
Milho safrinha se consolida como alternativa para o SAF
De forma geral, o estudo indica que o milho de segunda safra do Brasil tem potencial para se tornar uma matéria-prima estratégica na produção de combustível sustentável de aviação, contribuindo para metas globais de mitigação climática sem comprometer a segurança alimentar.
Principais conclusões do estudo
- A adoção da dupla safra reduz significativamente a necessidade de expansão de áreas agrícolas
- O etanol de milho pode apresentar emissões muito baixas ou até negativas
- A intensificação produtiva é o principal vetor de crescimento da oferta
- A resposta do mercado global será determinante para os impactos no uso da terra
- Perspectivas para o mercado e segurança alimentar
A disponibilidade de cerca de 17 milhões de hectares de áreas consolidadas de soja aptas à expansão do milho safrinha reforça o potencial de crescimento da produção.
Em cenários de alta elasticidade da oferta, a demanda global por milho pode crescer com impacto limitado sobre preços e uso de novas áreas, contribuindo para reduzir riscos à segurança alimentar e manter estabilidade no mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio













































