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Morte de Topete desencadeia conflito na Odenir Guimarães

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Apontado como um dos maiores traficantes em atuação em Goiânia, Thiago César de Souza, de 33 anos, conhecido como Thiago Topete, foi morto ontem com mais de dez tiros, dentro da Penitenciária Odenir Guimarães (POG) no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Presos da Ala B da POG aproveitaram a ida dele na administração e, quando ele chegava no corredor da Ala B para ir para a Ala C, onde era apontado como líder, foi morto com vários tiros. Um áudio da execução chegou a ser gravado e veiculado no WhatsApp.

A morte de Topete desencadeou uma rebelião no restante do Complexo Prisional, com embate entre os presos da Ala C e da Ala B, que sofre influência do principal rival de Topete, o também traficante Iterley Martins de Souza, que está preso no presídio federal de Campo Grande (MS). A rebelião foi contida com a chegada da Polícia Militar ao presídio e contabilizou cinco mortos e 35 feridos, sendo oito com maior gravidade.

Além de Topete, foram mortos Willian Seichas Silva Barbosa, o Tomate; Alexandre Batista França, e outros dois presos que não foram reconhecidos por causa dos ferimentos que sofreram. Chegou-se a cogitar que os presos mortos seriam o líder da Ala B, Sthefan Vieira e André Daher, preso por roubo de veículos, mas não houve confirmação das identidades até o fechamento desta edição.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) informou que duas armas haviam sido apreendidas na Ala C, onde ocorreu a briga entre as gangues e que uma varredura estava sendo feita no presídio pelas forças de segurança. Ainda não se sabe como as armas usadas pelas facções rivais entraram no presídio.

Durante o conflito na manhã de ontem, apenas dois agentes penitenciários faziam a guarda da ala e foram orientados a “vazar” assim que o atirador, ainda não identificado, começou a atirar em Topete. O secretário de Segurança Pública, coronel Edson Costa Araújo, disse que havia efetivo necessário no presídio, desmentindo o que agentes penitenciários haviam divulgado. Nenhum servidor ou preso foi mantido refém e, apesar de fogo ter sido colocado em colchões e de ter havido depredação em celas e nas alas, nenhuma reivindicação dos presos chegou a ser apresentada para a direção.

 

Território

A rivalidade entre as organizações criminosas lideradas por Tiago Topete e Iterley Martins se arrasta por anos e teve origem no aumento do território para o tráfico de drogas na região sudoeste da capital. Topete era o chefe do tráfico na Região Oeste e sua prisão fez com que o líder da Região Sudoeste, Iterley, o Magrelo, tentasse dominar a região. Como as quadrilhas eram bem estruturadas, com um organograma bem definido e funções distribuídas entre o bando, uma explosão de violência entre os grupos terminou com mais de 50 mortos em apenas um ano.

Informações obtidas pelo POPULAR e não confirmadas ainda pela SSPAP dão conta que além dessa rivalidade por território, Iterley teria se aproximado da organização criminosa Família Do Norte (FDN), enquanto Topete estaria agradando chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC). As duas gangues são rivais no tráfico internacional de cocaína e foram responsáveis por rebeliões com dezenas de mortes em presídios da região Norte do País no início do ano.

No final da tarde, presos da Ala C, que ficou destruída, foram transferidos em ônibus do transporte coletivo para outra unidade prisional, provavelmente de Anápolis, como foi informado a alguns familiares de presos. O assessor de imprensa da PM, tenente coronel Ricardo Mendes, disse que não podia divulgar o local para onde eram transferidos os presos por uma questão de segurança. Ele informou que nenhuma fuga foi registrada durante o “tumulto”.

O Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia foi com várias equipes para o presídio para acompanhar o trabalho da Polícia Científica e definir como se deu a dinâmica dos assassinatos. “Ainda não sabemos como ocorreu. O episódio acaba de acontecer”, contou o assessor de imprensa da Polícia Civil, delegado Gylson Mariano.

Um grande número de áudios do WhatsApp alertando que as pessoas não deveriam sair de casa sob pena de sofrer algum tipo de violência em repúdio à morte de Topete foi considerado fraudulento pelo coronel Edson Costa Araújo.

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O Popular

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