O Ministério Público Federal (MPF) denunciou, na sexta-feira (2), em Goiás, 12 pessoas pela prática dos crimes de associação para o tráfico internacional, de tráfico internacional de entorpecente, no caso, cocaína proveniente da Bolívia, e de lavagem de capitais. A denúncia foi oferecida com base no inquérito da “Operação Manicaca”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no último dia 3 de novembro.
Foram denunciados Engri Junior de Almeida Maia, Marcus Vinicius de Almeida Maia, Leidiana Pereira Rodrigues, João Batista Antônio da Costa, Maria Pereira da Rocha, Wilhiam Alves Junior, Juventina Pereira Rodrigues Silva, Geovana Pereira Rodrigues, Dorvando Lemes Rodrigues, Igor Frank Aleixo da Silva, Leandro Henrique Balduíno Martins e Ana Carolina Marques de Carvalho.
Os 12 denunciados, membros de uma organização criminosa (orcrim), associaram-se de forma estável, permanente e organizada com divisão de tarefas para praticar, reiteradamente, tráfico internacional de drogas, principalmente no atacado, com a importação de cocaína para posterior distribuição interna a outros traficantes locais.
A orcrim atuava da seguinte forma: numa primeira etapa, importava para o território nacional grande quantidade de cocaína proveniente da Bolívia. A droga era embarcada em pequenas aeronaves privadas em solo boliviano e transportada por via aérea ao Brasil.
Em uma segunda etapa, a cocaína boliviana era desembarcada em pequenos aeroportos, quando membros da organização gerenciavam o armazenamento, a distribuição e o beneficiamento da droga.
De acordo com as investigações, os integrantes da orcrim eram coordenados e financiados por Engri Junior, conhecido como “Junior Trindade”, um dos principais traficantes do estado de Goiás, atualmente foragido do sistema prisional. Todos participavam direta ou indiretamente das operações de tráfico internacional, havendo os responsáveis pela fase de importação por via aérea, de armazenamento e de distribuição a outros traficantes locais, em uma complexa estrutura na qual todos possuíam o domínio dos fatos criminosos, haja vista que, sem o responsável por uma fase, não seria efetuada a subsequente.
Tráfico de cocaína
No curso das investigações realizadas pela PF, foram identificadas duas grandes operações de tráfico internacional de drogas realizadas pela orcrim. Em novembro de 2016, uma operação de importação de 150 kg de cocaína resultou na apreensão da droga no estado do Mato Grosso. Uma segunda operação de importação foi realizada em 14/2/2018, desta vez de 154 kg de cocaína que foram apreendidos no Aeroclube de Goiânia.
Crime de lavagem de capitais
As investigações revelaram, ainda, que as atividades de tráfico internacional de drogas resultaram na aquisição de patrimônio clandestino ocultado em nome de terceiros. Com isso, houve a movimentação de valores de origem ilícita que foram lavados com a ajuda dos chamados “laranjas”, com a compra de imóveis, veículos e aeronaves, caracterizando o crime de lavagem de capitais. Nesse caso, o MPF requereu a decretação do perdimento desses bens ao final da ação penal, devendo, por ora, serem sequestrados para evitar a sua dilapidação por parte dos membros da orcrim.
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