“Mesmo sendo o Brasil um País onde a participação das mulheres no mercado de trabalho ultrapassa os 50%, reconhecemos que a realidade das empresas em geral ainda é diferente: a igualdade entre homens e mulheres é uma batalha a ser vencida. Para as mulheres que decidem se tornar mães, a insegurança é ainda maior.” Essa breve análise de Ana Lídia Oliveira, Analista de Marketing Sênior da Soluti, empresa de tecnologia líder nacional em Certificados Digitais e que desenvolve diversas ações de apoio às mães no pós-parto, resume bem o cenário do mercado de trabalho no Brasil, onde as mulheres constatam, no dia a dia, o quanto a equidade de gênero ainda está distante, especialmente no que diz respeito ao acesso igualitário às oportunidades de conquistar um emprego e de permanecerem empregadas depois de se tornarem mães.
Estudo de autoria de Isabela Fernandes Matos Lima, base para a defesa de dissertação de mestrado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revela uma diminuição grande na proporção de mulheres ocupadas no setor formal logo após o parto. “Ao contrário do que ocorre com as mulheres que se tornaram mães, o nascimento do primeiro filho não apresenta nenhum efeito sobre a condição ou posição na ocupação dos homens no mercado de trabalho”, compara Isabela.
Embora a desigualdade entre homens e mulheres seja evidente, alguns avanços na luta pela equidade ajudam a reduzir essa penalidade imposta às trabalhadoras. A Soluti, por exemplo, aderiu ao Programa Empresa Cidadã e apoia as mulheres com a licença maternidade estendida, de 180 dias. Mais de 60 colaboradoras já foram contempladas com a licença, proporcionando a elas mais tranquilidade nos cuidados com a criança.
Baixa adesão
O Programa foi instituído pela Lei nº 11.770, de 2008, com a finalidade de prorrogar por mais 60 dias a duração da licença-maternidade de 120 dias prevista na Constituição Federal, e por 15 dias a licença-paternidade. Entretanto, apenas 0,9% das empresas do País oferecem licença-maternidade estendida a suas funcionárias, segundo levantamento realizado em 2021 pela ANDI Comunicação e Direitos e pela Rede Nacional Primeira Infância (RNPI). Em Goiás, a adesão é ainda menor, de apenas 0,7%.
Nara Saddi, Diretora de Pessoas da Soluti, explica que a corporação pensa e conduz as ações de gestão de seus colaboradores de modo a beneficiar todo o conjunto. “Fazemos isso equilibrando vida e trabalho e uma parte importante desse equilíbrio é pensar nesse momento de maternidade da mulher. Além de estender a licença maternidade de quatro para seis meses, nós abrimos a possibilidade de flexibilização dos horários de trabalho após a licença-maternidade, oferecendo a possibilidades de trabalho home-office, híbrido ou presencial para as mães que estão retornando.

Mães adotivas
A Soluti também concede licença-maternidade especial para mães adotivas, situação que exige um acompanhamento maior na fase inicial. “Oferecemos acompanhamento psicológico para mães e filhos porque sabemos que muitas mulheres, quando se tornam mães, passam por uma sobrecarga, pois a sociedade acaba cobrando muito mais. Além disso, a empresa permite que as mães acompanhem os filhos em tratamento médico no que for preciso, independente do número de dias que a CLT estabelece”, informa.
Nara enfatiza que o ser humano é muito mais do que um profissional e que ser mãe, muitas vezes, faz parte do sonho de colaboradoras que todos os dias ajudam a empresa a construir o seu sonho de organização. “Fazemos isso porque temos essa consciência, não só porque traz um resultado de maior engajamento, de comprometimento afetivo com a organização por parte das colaboradoras, pois elas sentem que a relação é justa e equilibrada”, analisa.
Ana Lídia afirma que se sente privilegiada por estar em um ambiente que valoriza a presença das mulheres no campo profissional, reconhecendo suas competências e resultados, independentemente do gênero. “Recentemente, fiquei surpresa ao ser informada sobre minha promoção enquanto estava grávida. Essa notícia me trouxe conforto e a sensação de ser apoiada, reafirmando meu compromisso de me esforçar para ser uma profissional melhor para a empresa. É uma relação de benefícios mútuos”, assegura.
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