As imagens, registradas às margens de um rio na região de Porto Jofre, em Poconé, mostram uma onça-pintada descansando na beira da mata enquanto dezenas de embarcações se aproximam para garantir a melhor foto. Turistas e pescadores aparecem filmando e fotografando o animal, em uma espécie de “engarrafamento” sobre a água, com barcos enfileirados e disputando espaço em torno do felino. O vídeo rapidamente se espalhou por diferentes plataformas, acumulando comentários, compartilhamentos e novas postagens que repercutem a cena.
Nas redes sociais, a reação foi dividida. Parte do público tratou o episódio como uma curiosidade do turismo de natureza, destacando a presença marcante da onça e o fascínio que o animal desperta em visitantes brasileiros e estrangeiros. Outra parcela, porém, criticou a proximidade dos barcos, o barulho e a quantidade de pessoas em torno do bicho, avaliando que o tipo de abordagem pode provocar estresse, alterar o comportamento natural da espécie e comprometer a segurança tanto da onça quanto dos turistas.
Especialistas em conservação e guias mais experientes também passaram a usar o caso como exemplo dos riscos de um turismo sem regras claras. Entre as preocupações estão a pressão sobre áreas de descanso e de caça dos felinos, o aumento do lixo e do óleo de motor nos rios e a possibilidade de acidentes quando o animal se sente acuado.
Nos últimos anos, o Pantanal mato-grossense consolidou-se como um dos principais destinos do país para quem busca avistar onça-pintada em ambiente natural. O crescimento do fluxo de visitantes movimenta pousadas, barcos-hotel e agências especializadas, gerando emprego e renda para comunidades locais. Ao mesmo tempo, a expansão desordenada da atividade aumenta a pressão sobre um bioma já impactado por queimadas, desmatamento no entorno e mudanças no regime de cheias.
Guia de turismo e empresários do setor defendem que o avistamento de onças, quando feito com responsabilidade, ajuda a valorizar a espécie e cria incentivo econômico para sua preservação. A crítica recai justamente sobre a falta de limites claros: número de barcos por avistamento, distância mínima dos animais, controle de ruído e fiscalização efetiva em períodos de maior movimento.
Após a viralização das imagens, volta à tona a cobrança por normas mais rígidas para o turismo de observação no Pantanal. Ambientalistas e pesquisadores defendem a adoção de protocolos semelhantes aos de outros destinos de fauna no mundo, como cotas diárias de visitantes, credenciamento obrigatório de guias, áreas de aproximação delimitadas e punição para quem descumprir as orientações.
Assista;
Você tem WhatsApp? Entre em um dos canais de comunicação do JORNAL DO VALE para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens, clique aqui
JORNAL DO VALE – Muito mais que um jornal, desde 1975 – www.jornaldovale.com
Siga nosso Instagram – @jornaldovale_ceres
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a redação do JORNAL DO VALE, através do WhatsApp (62) 98504-9192














































