Goiás já possui 11 casos de contaminação e um óbito causados pela variante Delta do coronavírus (Sars-CoV-2). Um novo registro foi confirmado em Aparecida de Goiânia, que agora conta com quatro notificações da variante, todas em pessoas de uma só família. O número preocupa especialistas por conta da alta transmissibilidade da cepa do vírus, que pode impactar no aumento de casos em Goiás.
Em Aparecida, os casos confirmados são de um pai, mãe, filha e genro infectados. O idoso, de 67 anos, faleceu no último domingo (8) por complicações da doença. Os outros familiares já estão recuperados. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da cidade já considera que a variante circula de forma comunitária na cidade, já que não foi possível identificar a origem da contaminação. Entretanto, a Secretaria Estadual de Saúde ainda não considera que exista transmissão comunitária.
Dos 11 casos confirmados em Goiás até agora, cinco (dois moradores de Goiânia, um de Santo Antônio do Descoberto e dois de São João D’Aliança) são de pessoas que trabalham no Distrito Federal, que já acumula 84 registros confirmados de infecção pela variante Delta, sendo que quatro deles são de pessoas que estão internadas. O Brasil já tem 706 notificações em 15 unidades da federação.
Por conta da proximidade de Goiás com o Distrito Federal, em especial a região do Entorno, o infectologista Julival Ribeiro, que atua em Brasília, acredita que é questão de tempo para que mais de casos sejam confirmados no Estado.
O infectologista aponta que a variante tem as mutações do vírus fizeram a cepa se tornar altamente transmissível. “Existem estudos que mostram que ela deixa uma carga viral altíssima na região nasofaríngea. Isso facilita muito a transmissão da doença”, esclarece.
Sequenciamentos
Nesta sexta-feira (13), a Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) deve receber o resultado de 65 amostras que estão sendo sequenciadas em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Além do trabalho desenvolvido com as universidades, Goiás também faz o sequenciamento dos casos pela rede genômica instituída pelo Ministério da Saúde, formada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Na última semana, a SMS da capital, por meio de uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP), fez a genotipagem de 49 amostras. Foram 37 resultados positivos para a cepa P1, um para a P2 e um no qual não foi possível confirmar se tratava-se da variante Delta ou Californiana.
Conforme a SMS, o processo para a contratação da empresa que fará novos sequenciamentos para o município está em fase de certificação na Controladoria Geral do Município. Em Aparecida de Goiânia, uma parceria da SMS com um laboratório privado já sequenciou mais de 1,2 mil amostras. Outras 80 estão no laboratório para análise até a próxima semana.
Ribeiro aponta que a melhor maneira de monitorar a circulação da variante é pela ampliação do sequenciamento genético de amostras de testes RT-PCR. “Só assim é possível ter a real dimensão do que enfrentamos em quantidade de casos. O poder público precisa ampliar esse trabalho”, diz.
Países já sentem impacto
A circulação da variante Delta já tem feito países com cobertura vacinal bem superior à do Brasil adotarem novas medidas restritivas devido ao aumento considerável de casos da Covid-19. Nos Estados Unidos, o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) chegou a recomendar a suspensão do uso de máscaras por pessoas completamente imunizadas, depois de o país atingir cerca de 50% de cobertura vacinal.
Entretanto, em alguns locais como, por exemplo, Los Angeles, as autoridades em Saúde já voltaram a recomendar o uso de máscaras em ambientes fechados devido a um novo crescimento de casos da doença causados pela circulação da variante. Em Israel, onde cerca de 80% da população já está totalmente imunizada contra a Covid-19, o governo considera impor novos lockdowns e aplicar uma dose de reforço na população com mais de 50 anos devido ao aumento de casos causados pela variante Delta. “Isso dá um panorama para que o Brasil entenda a gravidade da circulação desta variante a importância de evitá-la”, diz o infectologista Julival Ribeiro.
O médico aponta que o grande medo dos cientistas é que novas cepas, ainda mais transmissíveis e possivelmente mais virulentas, se desenvolvam. “Quanto mais pessoas infectadas, maior a chance. Isso é perigoso, pois em algum ponto, as vacinas que temos podem se tornar menos eficazes em relação às novas variantes que surgirem”, enfatiza.
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