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Opinião

Erro de Cálculo

No Brasil, a postura de neutralidade do governo Bolsonaro tem atraído crítica da oposição, no entanto, é possível que seu posicionamento pode ser considerado assertivo, pois o atual cenário econômico mundial, haja vista a disponibilidade de importação de produtos (matéria-prima e commodities) oriundas da Rússia, principalmente do trigo e petróleo (óleo diesel).

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No dia 24 de fevereiro deste ano, quando o presidente russo Vladimir Putin decidiu invadir o país vizinho da Ucrânia, jamais pensou que a chamada “Operação Especial” teria tantos percalços bélicos, diplomáticos e econômicos em desfavor de sua estratégia, projetada para sobrepor e derrotar a nação invadida em poucos dias, como também derrubar o atual governo de Volodymyr Zelenski e sua gestão.

Inicialmente vale ressaltar a resistência do exército e do povo ucraniano. Ademais, a maior aliança militar do planeta, a OTAN, que inicialmente se resumiu a manifestação tácita, após três semanas de conflito, percebendo que o exército russo tinha severa dificuldade logística e tática, com o aval dos Estados Unidos da América e grande parte dos países europeus, deu sequência à chamada “guerra por procuração”, investindo consideravelmente em ajuda financeira, militar e de inteligência ao país invadido.

Passados setes meses de uma guerra ainda não declarada pelo governo russo, a invasão ucraniana expôs fragilidade do poderoso exército russo, até então considerado a 2ª potência bélica mundial. Ao demonstrar dificuldade no campo de batalha, a OTAN, os EUA e parte da Europa literalmente sentiu a moral crescer frente às lacunas estratégicas e logística da Rússia. Assim sendo, interessa aos EUA, oponente clássico da Rússia (antiga URSS), desde o fim da segunda guerra mundial, quando começou a polaridade da “guerra fria” a continuida do conflito, pois, além do enfraquecimento bélico e econômico da Rússia, pode lucrar com sua gigantesca indústria armamentista. A exemplo do que ocorreu no período pós 2ª guerra mundial, quando os EUA implantou o Plano Marshall para a reconstrução da Europa devastada pela guerra, obtendo vantagem e prioridade financeira e territorial, contraponto os interesses da então URSS (União Soviética).

No campo econômico, várias e pesadas sanções foram impostas pelos aliados da Ucrânia contra a Rússia, embargos que afetaram de maneira contundente a capacidade financeira e comercial do maior país do mundo. Por outro lado, não se pode deixar de repercutir a dependência de países europeus do gás da Rússia, principalmente a Alemanha, França, Suécia, Finlândia e Holanda, com a elevação do preço do gás natural que é o principal recurso energético usado principalmente durante o rigoroso inverno europeu para o aquecimento doméstico e industrial do continente. Os efeitos da guerra têm contribuído para a escassez de alimentos, cuja dependência traz a elevação da inflação, não só na Europa e Ásia, como também nos Estados Unidos.

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O Governo Putin sabe que o inverno se aproxima e aposta toda sua sorte no tabuleiro de guerra na perspectiva de que possa haver uma pressão da população junto a comunidade europeia e norte americana em prol do fim do conflito.

O presidente ucraniano Zelenski aproveita a fase favorável da guerra onde seu exército avança fazendo os invasores recuar dos territórios conquistados e depois anexados pelo inimigo, mostra sua força e explora seu prestígio junto à comunidade internacional em busca de ajuda. Enquanto isso, na Rússia, a convocação de reservistas para o front gera grande especulação sobre a motivação e custo benefício do conflito, fazendo a popularidade de Putin imergir gradualmente.

No Brasil, a postura de neutralidade do governo Bolsonaro tem atraído crítica da oposição, no entanto, é possível que seu posicionamento pode ser considerado assertivo, pois o atual cenário econômico mundial, haja vista a disponibilidade de importação de produtos (matéria-prima e commodities) oriundas da Rússia, principalmente do trigo e petróleo (óleo diesel).

Também é oportuno externar que fazemos parte dos chamados países emergentes “BRICS”: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Nesse contexto, o Brasil pode ser beneficiado caso a Rússia consiga sair com alguma força suficiente para impor seu valor em nível de superpotência e manter bipolaridade ou talvez a pluralidade de acordo com a significativa condição de uma das maiores econômica mundial, a China, nivelando outras nações e equilibrando a geopolítica mundial. Caso a Rússia saia fragmentada desse conflito que iniciou, com certeza os EUA terão o domínio e crescimento como única potência mundial, o que não seria bom para o Brasil.

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Enquanto o conflito tem motivado sérias consequências em outros continentes, no cone sul do hemisfério nossos vizinhos passam por considerável insegurança alimentar e de restrição de direitos e garantias individuais devido a ascensão da esquerda. A Venezuela, mesmo possuindo a maior reserva de petróleo do mundo, a partir do governo do presidente Hugo Chaves que perdura com seu sucessor Nicolás Maduro, padece na miséria devido a doutrina e extremismo político com tendência ao socialismo, a população foge da fome e da perseguição política do governo, deslocando para países como Brasil e Colômbia. No mesmo caminho e com idêntica ideologia política de esquerda, a Argentina e o Chile se encontra numa situação de desmonte econômico.

Não se pode prever o fim e o resultado desta guerra, como também o efeito negativo de suas consequências, mas, de todos os males, o Brasil ainda tem apresentado crescimento econômico e outras vantagens decorrentes do efeito da atual política diplomática e política. O inverno vindouro a Europa poderá mudar o destino. Errou o presidente Putin ao iniciar sua “operação especial” invadindo o território Ucraniano, como também erraram os líderes das nações que apostaram na capacidade de resiliência russa e minimizaram os efeitos da guerra.

Samir Lima Habach – M.’. I.’. é ARLS Barnabé Soares da Silva Oriente de Rianápolis.

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