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opinião

A COP-30 e os militares

Em 1947, o cientista Harrison Brown descobriu o decaimento do urânio em chumbo e logo intuiu que se medisse a quantidade de chumbo nas rochas conseguiria calcular a idade da Terra
Mario Eugenio Saturno  é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. Foto: Divulgação

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Dias atrás, assistindo a apresentação de um membro do IPCC, Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, sugeri envolver a participação dos militares na solução do problema, lembrando que foram fundamentais para que Clair Patterson salvasse a humanidade nos anos 1970. A historia da tetraetila de chumbo é fantástica, uma vitória extraordinária de um cientista contra o poderoso bloco de produtores de petróleo.

Em 1947, o cientista Harrison Brown descobriu o decaimento do urânio em chumbo e logo intuiu que se medisse a quantidade de chumbo nas rochas conseguiria calcular a idade da Terra. Ele escolheu Clair Patterson para fazer a pesquisa, um aluno brilhante e muito experiente com o espectrômetro de massa.

A pesquisa consistia em descobrir como medir a quantidade de chumbo dentro de cristais de zircão, porque uma vez formado o cristal, nenhum urânio poderia entrar ou sair, apenas decair em chumbo. Patterson não conseguia nenhum resultado porque tudo estava contaminado por chumbo. Após oito anos, ele construiu a primeira sala ultralimpa do mundo e calculou a idade da Terra: 4,5 bilhões de anos.

Depois, passou a dedicar sua vida a pesquisar e provar que a tetraetila de chumbo iria destruir a humanidade. Patterson ficou sem financiamento para suas pesquisas, quando teve o apoio do exército e da marinha, principalmente. Salvou a humanidade! E as forças armadas foram fundamentais e podem ser agora, de novo, contra os produtores de petróleo.

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Segundo o IPCC e o Climate Policy Initiative, para limitar o aquecimento global a 1,5 °C, seriam necessários cerca de US$ 4 trilhões por ano em investimentos. Uma quantia gigantesca. Para se ter uma ideia, o PIB das 23 maiores economias chega a quase cem trilhões de dólares, estas precisariam destinar pouco mais de 4% do PIB, muito difícil, embora possível. Outra fonte, mais fácil (?), seria um acordo para cortar os gastos militares em 50% e destinar esses recursos para a transição energética.

O gasto militar mundial atingiu US$ 2,7 trilhões em 2024, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) e o International Institute for Strategic Studies (IISS). Se considerarmos apenas os 10 países que mais gastam em armas, chegamos a dois trilhões de dólares.

Não podemos esquecer que a energia verde é um senhor negócio. E, ainda, a energia eólica e solar já são baratas o suficiente para compensar os investimentos. Novas tecnologias que estão quase concluídas, como a célula combustível a etanol.

No Natal de 2020, escrevi uma proposta de tese que denominei Projects for Peace (Projetos para a Paz), fazer a transferência da verba de Defesa, e enviei para diversos políticos e jornais dos EUA e Europa. Propus iniciar com 2% em 2022, subindo agressivamente até chegar em 2032 com 50%. E, depois, limitar os gastos em Defesa em 1% do PIB.

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Eu não tenho o poder do IPCC ou da COP-30, mas se quisermos convencer países a aderir, precisaremos da adesão dos militares, missão que me parece mais fácil que convencer políticos que defendem termelétricas fósseis. Se Patterson conseguiu, conseguiremos também!

Mario Eugenio Saturno  é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano

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