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SAÚDE

Diabetes pode causar danos irreversíveis na visão e levar à cegueira, alerta oftalmologista

No Dia Mundial do Diabetes, especialista reforça a importância do diagnóstico precoce — mais de 13 milhões de brasileiros vivem com a doença, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes
Diabetes pode causar danos irreversíveis na visão e levar à cegueira, alerta oftalmologista. Imagem: Freepik

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O Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, reforça a importância de olhar com mais atenção para os impactos da doença na saúde ocular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), existem atualmente no Brasil mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabetes, o que representa 6,9% da população nacional. O número crescente de diagnósticos preocupa, já que o diabetes pode comprometer seriamente a visão e levar à cegueira se não houver acompanhamento regular com o oftalmologista.

“O excesso de glicose no sangue danifica os vasos da retina, que é o tecido responsável por captar as imagens dentro do olho. Com o tempo, esses vasos podem sofrer extravasamentos ou crescer de forma anormal, comprometendo a visão”, explica o Dr. Lucas Assis Costa, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH). Segundo ele, a retinopatia diabética é uma das principais causas de perda visual evitável no mundo entre pessoas com diabetes.

Além da retinopatia, o diabetes pode causar catarata precoce, glaucoma e alterações na superfície ocular, o que pode agravar ainda mais o quadro visual. “Essas condições podem aparecer isoladamente ou em conjunto, principalmente quando o controle glicêmico não é adequado”, alerta o médico.

Os primeiros sinais de que algo não vai bem costumam ser visão borrada, manchas no campo visual ou perda súbita da visão. No entanto, o especialista lembra que o perigo está justamente na falta de sintomas. “A retinopatia diabética pode evoluir silenciosamente nas fases iniciais. Por isso, o rastreio regular é essencial para evitar danos permanentes”, reforça.

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De acordo com o Dr. Lucas, o diagnóstico é feito por meio do exame de fundo de olho, conhecido como mapeamento de retina. Quando indicado pelo oftalmologista, pode ser complementado por testes como a tomografia de coerência óptica (OCT) e a angiografia fluoresceínica, que ajudam a identificar o grau de comprometimento e a evolução da patologia. “A avaliação com fundoscopia é fundamental e o primeiro passo para detectar precocemente a retinopatia diabética e definir o melhor tratamento”, explica.

O tratamento varia conforme o estágio da doença. “Nas fases iniciais, o controle rigoroso da glicemia e dos fatores de risco é a base do cuidado. Quando há progressão, podem ser necessárias injeções intraoculares, tratamento a laser ou até cirurgia vítreo-retiniana, sempre com o objetivo de estabilizar o quadro e preservar a visão”, destaca o oftalmologista. Ele ressalta, porém, que a retinopatia diabética não tem cura definitiva, mas pode ser controlada de forma eficaz quando diagnosticada a tempo.

A prevenção segue sendo a melhor estratégia. “Controlar a glicemia, a pressão arterial, o colesterol, manter hábitos saudáveis e evitar o tabagismo são medidas extremamente importantes no manejo da retinopatia diabética”, orienta o Dr. Lucas. Ele reforça que as consultas oftalmológicas devem ser anuais, ou com menores intervalos quando há alterações detectadas.

O controle do diabetes não só protege os olhos como melhora a saúde geral do paciente. “Estudos mostram que o bom controle da glicemia reduz significativamente o risco de desenvolver ou agravar a retinopatia. Pequenas variações são esperadas, mas níveis altos de glicose por longos períodos aceleram o dano aos vasos retinianos”, acrescenta o especialista.

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Alguns pacientes merecem atenção redobrada, como os que convivem com o diabetes há muitos anos, especialmente quando há histórico de descontrole glicêmico, e pacientes que fazem uso de insulina, como os diabéticos tipo 1. Além disso, enfatiza-se maior cautela nos portadores de outras comorbidades como hipertensão e dislipidemia (colesterol alto) e nas gestantes diabéticas. “Esses grupos devem ser acompanhados com ainda mais rigor”, recomenda o médico.

Para o Dia Mundial do Diabetes, o recado do oftalmologista é direto: “Cuidar da visão faz parte do tratamento do diabetes. A retinopatia diabética é silenciosa, mas totalmente evitável. Consultar o oftalmologista pelo menos uma vez por ano pode fazer a diferença entre preservar a visão e enfrentar uma perda visual permanente. Com prevenção e acompanhamento adequados, é possível manter uma boa qualidade de vida e enxergar bem por muitos anos”, finaliza o Dr. Lucas Assis Costa, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH).

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