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Sobrecarga e cobrança social colocam mulheres no limite e amplia busca por ajuda psicológica

Pressão profissional, sobrecarga doméstica e múltiplos papéis sociais têm levado cada vez mais mulheres ao limite emocional. Especialistas alertam para o aumento de quadros de ansiedade, depressão e esgotamento psicológico
Sobrecarga e cobrança social colocam mulheres no limite e amplia busca por ajuda psicológica. Foto: Reprodução

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A pressão para equilibrar carreira, cuidados com a casa, filhos e relações familiares têm levado cada vez mais mulheres ao limite emocional. Especialistas alertam que a soma de múltiplas responsabilidades, aliada à cobrança social para que elas “deem conta de tudo”, tem contribuído para o crescimento de quadros de ansiedade, depressão e esgotamento psicológico — um cenário que muitas vezes só é percebido quando o sofrimento já atinge níveis extremos.

Embora não seja possível afirmar que as mulheres adoecem mais que os homens, especialistas observam que elas são as que mais procuram atendimento psicológico e psiquiátrico. Um indicativo de que a pressão social, pessoal e profissional tem impacto direto na saúde mental feminina.

Segundo a psicóloga da Hapvida, Karina Siqueira, esse fenômeno reflete uma cobrança social histórica sobre o papel da mulher. “Não se pode dizer que as mulheres são as que mais adoecem, mas é fato que são as que mais procuram ajuda psicológica e psiquiátrica. Há um crescente adoecimento mental provocado por pressão social, pessoal e profissional, mas isso ainda é uma sobrecarga invisível”, afirma.

O peso das expectativas

O peso das expectativas é um dos principais fatores que levam à exaustão. De acordo com Karina, além da carga de trabalho formal, existe a chamada carga mental doméstica, que inclui planejamento da rotina da casa, cuidado com os filhos e atenção constante às necessidades da família, tarefas que, culturalmente, ainda recaem majoritariamente sobre as mulheres.

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Essa expectativa de desempenho constante cria um modelo quase inalcançável de comportamento feminino. “Culturalmente, as mulheres são colocadas no lugar de quem precisa dar conta de tudo: ser boa mãe, boa esposa, boa profissional e ainda cuidar da casa. Existe uma expectativa de que ela esteja sempre forte e disponível para cuidar de todos”, afirma Karina Siqueira.

Quando pedir ajuda parece falhar

Esse padrão social também influencia na forma como muitas mulheres lidam com o próprio sofrimento emocional. A ideia de que é preciso ser forte o tempo todo pode dificultar o reconhecimento da necessidade de ajuda. “O que torna o tratamento mais difícil é que muitas mulheres crescem com a sensação de que não têm o direito de falhar, de ser frágeis ou de adoecer”, destaca a psicóloga.

No consultório, um dos principais desafios dos profissionais é ajudar pacientes a romper com essas expectativas. “Nosso trabalho é mostrar que elas não precisam dar conta de tudo. É possível dizer não, deixar algo para depois e reconhecer os próprios limites”, explica.

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Outro fator que preocupa especialistas é o momento em que muitas mulheres procuram atendimento psicológico. Na maioria dos casos, a ajuda profissional só é buscada quando os sintomas já estão em estágio avançado. “Infelizmente, muitas mulheres passam por momentos extremos de exaustão, ansiedade ou depressão antes de procurar ajuda profissional”, alerta Karina Siqueira.

Para a especialista, ampliar o debate sobre saúde mental feminina é fundamental para romper estigmas e incentivar o autocuidado, além de promover uma reflexão social sobre a sobrecarga histórica atribuída às mulheres.

BM2 Comunicação

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