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De 84 para 220: Trabalho escravo rural dispara 160% em Goiás em 2025

O número representa um aumento de 160% em relação a 2024, quando 84 vítimas foram resgatadas. O estado ficou atrás apenas de Mato Grosso (606 casos) e Minas Gerais (303).
De 84 para 220: Trabalho escravo rural dispara 160% em Goiás em 2025. Foto: Reprodução

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Goiás saltou para o terceiro lugar no ranking nacional de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2025, com 220 pessoas libertadas, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). O número representa um aumento de 160% em relação a 2024, quando 84 vítimas foram resgatadas. O estado ficou atrás apenas de Mato Grosso (606 casos) e Minas Gerais (303).

As fiscalizações, concentradas no trabalho rural, ocorreram em oito municípios: Anicuns, Caldas Novas, Cristalina, Goiânia, Inhumas, Ipameri, Professor Jamil e Vila Boa. Os resgates envolveram atividades como extração de madeira, pecuária de corte e leite, produção de sementes, etanol, alho, suínos e cana-de-açúcar. Em um caso em Inhumas, 58 trabalhadores de Bahia, Minas Gerais, Piauí e Sergipe foram identificados em uma empresa de bioetanol.

O episódio mais grave aconteceu em Vila Boa, no Entorno do DF, onde uma operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE-DF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Federal libertou 108 pessoas em setembro de 2024. Elas cortavam cana manualmente para a Companhia Bioenergética Brasileira (CBB), em área sem banheiros, com refeições no chão sob sol e poeira, água contaminada por coliformes (como E. coli) e riscos de animais peçonhentos. A empresa, em recuperação judicial, não foi localizada para comentário. Em março de 2025, o MST ocupou os 8 mil hectares falidos da CBB durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.

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Aumento impulsiona fiscalização intensificada

O procurador do MPT-GO, Marcello Ribeiro, atribui o recorde à reforço na fiscalização. “Goiás empossou novos auditores para substituir aposentados, além de manter equipe móvel estadual somada ao grupo federal”, explica. Em 2023, o estado liderou com 212 resgates, mas 2025 superou essa marca.

Gerailton Santos, da CPT, vê raízes históricas: “Goiás tem tradição escravocrata, de coronéis que exploravam mão de obra para desmatar e produzir”. Ribeiro destaca que as condições degradantes predominam sobre o trabalho forçado, atraindo vítimas vulneráveis do Nordeste, Vale do Jequitinhonha (MG) e Pará, seduzidas por falsas promessas de emprego.

Reintegração e prevenção como próximos passos

Vítimas são majoritariamente homens pobres, com pouca escolaridade. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) oferece retorno ao estado de origem, abrigos ou vagas de trabalho. Mas Santos alerta para a reincidência: “Sem educação e profissão, eles voltam ao ciclo. Reforma agrária e educação no campo são essenciais”.

Denúncias vão ao Disque 100, Sistema Ipê ou site do MPT. Em flagrantes, empregadores pagam verbas rescisórias e indenizações; casos judiciais levam à “lista suja” do trabalho escravo, com restrições a crédito e comércio por até dois anos.

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Com informações do O Popular

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