Um ginecologista de Salvador está sob investigação da Polícia Civil da Bahia após uma paciente denunciar que o médico teria usado óculos com câmera integrada durante a realização de um exame ginecológico em uma clínica particular na Vila Laura. O profissional, identificado como Hosaná Pereira de Santana, foi preso pela Polícia Militar em 10 de julho e liberado dois dias depois, após audiência de custódia, segundo informação confirmada pelo Tribunal de Justiça da Bahia. O processo corre em segredo de Justiça.
A denúncia foi registrada na Casa da Mulher Brasileira. De acordo com relatos da paciente, o equipamento estava acoplado aos óculos do médico no momento do atendimento. A Polícia Militar informou que suas primeiras comunicações à imprensa se basearam em elementos preliminares colhidos no atendimento da ocorrência, ressaltando que tais informações destinam-se apenas ao relatório inicial e não substituem as provas produzidas no curso das investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) afirmou ter tomado conhecimento do caso por meio da imprensa e informou que sua Corregedoria instaurou sindicância para apurar os fatos. A assessoria da Polícia Civil não tinha se manifestado sobre o andamento da investigação até a publicação desta reportagem.
A família do médico nega irregularidades. Hosanah Filho, filho de Santana, disse que as acusações são “infundadas” e que o pai “jamais cometeu qualquer ato ilícito”. Segundo ele, não foram encontradas gravações com o médico. Hosanah afirmou ainda que o pai usa óculos da Meta — dispositivo que, conforme a fabricante, possui câmera capaz de tirar fotos e gravar vídeos em alta definição e pode ser acionada por comando de voz — por necessitar de lentes de grau. O filho acrescentou que, segundo a defesa, a câmera só pode ser ativada manualmente, que o acionamento emite uma luz visível e que tal sinal não foi detectado durante as consultas. “Como confirmado pela Justiça, não existe nenhuma gravação”, disse.
A família também contestou relatos de uma suposta confissão do médico no momento da prisão. Hosanah garantiu que o pai colaborou com as autoridades desde o início, entregando dispositivos eletrônicos e senhas e demonstrando “total transparência”. Ele afirmou que a prisão em flagrante foi reconhecida como ilegal por “absoluta ausência de provas” e acusou parte da cobertura midiática de construir um “circo” prejudicial à reputação do profissional.
A Polícia Militar reiterou que as informações prestadas à imprensa resultaram das circunstâncias observadas pelas equipes no local da ocorrência e que eventuais esclarecimentos finais cabem à Polícia Civil, responsável pela investigação e pela produção de provas.
A defesa do médico e a Corregedoria do Cremeb acompanham o caso, que segue em investigação pela Polícia Civil da Bahia. Procuradas, a clínica onde ocorreu o atendimento e a Secretaria de Segurança Pública do estado não haviam se manifestado até a publicação deste texto.
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