De acordo com a PM, o suspeito foi identificado como Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos. Após o pouso forçado, ele abandonou a aeronave e tentou fugir pela mata, sendo encontrado horas depois por equipes que faziam buscas na região. Os policiais relataram que o piloto apresentava sinais de cansaço e desidratação no momento da prisão, por ter passado a madrugada escondido em área de difícil acesso.
Ainda segundo a corporação, Henrique já havia concluído duas viagens anteriores levando cocaína e recebido R$ 70 mil por cada trajeto. Ele afirmou que foi contratado especificamente para realizar três voos com cargas de drogas, sempre utilizando rotas pelo interior de Goiás e estados vizinhos para evitar a fiscalização aérea.
O avião sofreu pane durante o voo e precisou realizar o pouso forçado em uma propriedade rural de Itarumã. Dentro da aeronave, os policiais encontraram uma grande quantidade de tabletes de cocaína, acondicionados no interior da cabine e em compartimentos adaptados para o transporte da droga. A carga apreendida foi avaliada em alto valor de mercado, o que reflete o potencial de lucro das organizações criminosas envolvidas no esquema.
Moradores da região perceberam a movimentação e acionaram a polícia, que isolou a área e deu início às buscas pelo piloto. A aeronave também será periciada para identificar possíveis modificações estruturais feitas para ampliar a capacidade de carga e reduzir o risco de detecção pelos radares.
A Polícia Militar encaminhou o caso para a Polícia Civil e para a Polícia Federal, que devem aprofundar as investigações sobre o grupo responsável pelo tráfico. Em operações anteriores, polícia e PF já identificaram que organizações criminosas utilizam aeronaves clonadas, com prefixos adulterados ou registradas em empresas de fachada para transportar cocaína entre estados brasileiros e países vizinhos.
De acordo com autoridades de segurança, esquemas de tráfico aéreo costumam envolver pilotos contratados apenas para os voos, mecânicos responsáveis pela preparação das aeronaves e integrantes que fazem o apoio em pistas clandestinas. Em outros casos investigados, essas quadrilhas chegaram a movimentar dezenas de milhões de reais em poucos anos, com cargas que variam de centenas de quilos a toneladas de droga por viagem.
No caso de Henrique, a polícia apura se ele atuava de forma independente ou ligado a uma facção com atuação em Goiás e em estados de fronteira, como Mato Grosso e Tocantins, onde já foram apreendidas diversas aeronaves usadas no tráfico.
O piloto foi levado para a delegacia e deve responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A Justiça deve decidir se ele permanecerá preso preventivamente durante o andamento das investigações, considerando a quantidade de droga apreendida e a confissão de que já havia realizado outras viagens.
As autoridades também vão analisar documentos e dados de voo da aeronave, além de registros telefônicos e bancários do suspeito, para identificar outros envolvidos no esquema e o possível destino final da cocaína. A expectativa da polícia é que o caso ajude a revelar novas rotas e pistas clandestinas usadas para o transporte aéreo de drogas na região Centro-Oeste.
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